Lula não cumpre muitas promessas de campanha
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sábado, 25 de outubro de 2003
Fausto Macedo<br>Agência Estado 
São Paulo O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ''uma série de promessas de campanha e essas promessas estão esquecidas''. O alerta é do desembargador Sérgio Augusto Nigro Conceição, presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo - maior tribunal do País, com 1940 magistrados e previsão orçamentária de R$ 5,5 bilhões para 2004. ''Verdadeiramente, não se cumpriu nenhuma promessa'', reitera.
''Estamos à beira do abismo'', reconhece o desembargador, que integra o Colégio Permanente de Presidentes dos Tribunais de Justiça. Ele cobra verbas para tocar iniciativas que considera fundamentais. Revela espanto e ''intranquilidade'', sufocado pela montanha de processos - 446,6 mil ações aguardam distribuição no TJ e nos tribunais de alçada. ''Temos de arrumar uma saída, é uma vergonha para nós um processo cível levar três anos para ser distribuído.''
Na companhia de um exemplar da Constituição (''merecedora de algumas alterações''), pousado sobre a mesa retangular, e do espelho de quase 2,5 metros de altura com moldura dourada que no século 19 ornou os aposentos da Marquesa de Santos - a peça pertence ao patrimônio do TJ há 70 anos -, Nigro busca soluções para superar barreiras como um Legislativo que resiste a projetos de interesse da Corte.
O cardeal mantém a Justiça paulista nos limites da Lei Fiscal. Mas quer ampliar o quadro de juízes e criar um tribunal de alçada em Campinas. Os projetos não andam. ''Nossa proposta visa a atender o interesse público, dar solução rápida aos processos, mas a Assembléia não põe em pauta'', lamenta.
Nigro destaca que ''para elaboração da pauta, precisa de consenso entre todos os líderes de bancadas''. ''Se um líder não concorda, o processo não vai para a pauta, então o interesse público fica relegado à vontade de um super-homem; não é possível que isso perdure.''


