Lula muda discurso e pede apuração de denúncias
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quinta-feira, 25 de junho de 2009
Tânia Monteiroe João Domingos<br>Agência Estado 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mudou a avaliação que vinha fazendo da crise do Senado. Em vez de defender o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), como havia feito duas vezes antes com veemência, na tarde de ontem Lula adotou uma postura institucional e preferiu deixar a solução da crise para o próprio Senado. Justamente no dia em que Sarney divulgou uma nota em que praticamente pede socorro ao presidente.
Numa rápida entrevista coletiva, Lula disse que há denúncias de irregularidades no Senado e que existe a fase de apuração. Então, na opinião dele, feito isto, deve-se tomar as providências. O que não pode, segundo Lula, é o País passar o mês inteiro discutindo a crise do Senado - agravada depois do dia 10, quando foi revelado a existência de atos secretos editados para dar regalias e aumentar salários de parentes e apaniguados de senadores e diretores da Casa.
Indagado se Sarney deve sair, Lula respondeu que ''não'', mas desta vez sem ressaltar que o presidente do Senado é uma pessoa diferente das demais, ''um ex-presidente da República'', como havia feito na semana passada. ''Sarney foi eleito. Acho que ele tem um compromisso de fazer apuração e ele me disse que está fazendo isso. Só espero que haja apuração, só isso.''
Na mesma entrevista, Lula defendeu o afastamento dos ex-diretores que estão sob suspeita de envolvimento nas irregularidades. ''Se ele (diretor) está sob suspeita, então é melhor afastá-lo até que as coisas sejam apuradas. O que eu não quero é transformar as brigas, as coisas que aconteceram no Senado, em uma coisa institucional. Ali no Senado todo mundo tem maioridade, todo mundo sabe o que acontece, todo mundo toma a decisão e resolve''. Lula disse que chegou em casa na noite de quarta e viu senadores dizendo que estavam sendo constrangidos pelos ex-diretores.
Na avaliação que Lula e os ministros mais próximos do presidente vêm fazendo da crise do Senado, há o temor de que se não houver uma solução rápida, o desgaste leve o Legislativo a uma crise semelhante à que atingiu o Congresso em 1993 e 1994 e motivou a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Anões do Orçamento.
Essa CPI teve tanto repercussão que inviabilizou o funcionamento do Congresso Revisor, convocado justamente emendar a Constituição naquilo que não tivesse dado certo nos cinco anos desde a promulgação da Carta, em outubro de 1988. O Congresso parou, não conseguiu fazer votações importantes e o escândalo atingiu líderes partidários como Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), que acabou tendo o mandato cassado.
O governo teme que a crise inviabilize os trabalhos do Senado. Não que haja projetos de grande importância a serem votados, que possam mudar os rumos do País. Mas, se o Senado travar, as medidas provisórias com as quais o governo toca a administração correriam riscos, porque elas perdem a eficácia depois de 90 dias caso não seja aprovadas.


