Lula mostra País viável a empresários
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terça-feira, 30 de julho de 2002
Patrícia Paixãoe Vinicius Carrasco<BR>Agência Folha 
São Paulo - Em tom irônico, sendo interrompido por aplausos dos empresários, o candidato petista à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, marcou sua participação no debate na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) com críticas ao governo federal e e entregando um programa de governo específico para a área econômica ao presidente da entidade, Horácio Lafer Piva.
Para ele, a falta de harmonia no relacionamento do governo federal com a sociedade e o caráter ''apático'' do Estado na economia como principais obstáculos na realização de acordos e aprovação de projetos importantes para o País. ''O Estado precisa ter um caráter mais harmonizador, indutor e planejador dentro da economia brasileira. Precisa ser mais ativo.''
Ainda afirmou que ''Fernando Henrique deve ter sido o presidente que fez a maior política de relações exteriores, mas será que adiantou alguma coisa?''. Por isso, ressaltou a necessidade do próximo presidente pensar primeiro nos problemas internos do País, para depois reorganizar suas relações com outros países.
Lula prometeu realizar, em seu provável governo, as reformas tributária, previdenciária, política e agrária, assim como criar uma nova política para o comércio exterior, que deve ser ''mais agressiva e não deixar o Brasil como se fosse uma republiqueta, à mercê de interesses internacionais''.
Ele propôs a criação de um sistema previdenciário único, público e privado, e assegurou que aumentará os fundos de pensão fazendo com que a poupança interna salte dos 17% do PIB para 23% num provável governo petista. Outra medida com a qual o candidato se comprometeu para reduzir os problemas da Previdência é a diminuição da informalidade no mercado de trabalho.
Com relação à reforma tributária, Lula voltou a exigir um papel mais forte do Estado. Segundo ele, a reforma tributária ainda não foi aprovada no País porque o governo não tem interlocução com os diversos setores da sociedade, ao passo que a reforma política é defendida como meio de conquistar credibilidade externa. Para ele a população precisa recuperar a confiabilidade nos partidos políticos.
Sobre a reforma agrária, Lula voltou a afirmar ser o único capaz de realizá-la de forma pacífica e pediu que os empresários pensem a esse respeito.
Lula convocou os empresários a avaliarem atentamente as propostas e a história de cada candidato ''No passado com tantas alternativas boas para a Presidência, como eu mesmo, o povo acabou escolhendo a mais infeliz. E foi provado que aquela era a mais infeliz''. E disse que o medo não pode tomar conta do cenário eleitoral.
''O voto precisa ser consciente e vocês, empresários precisam ter responsabilidade porque muitos políticos corruptos chegaram ao poder financiados por empresários.''


