Lula mostra novos aliados e Serra 'muda tudo' na TV
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sábado, 12 de outubro de 2002
Vera Rosa eFlávio Mello<BR>Agência Estado 
Na noite do último domingo, quando a apuração dos votos já indicava um segundo turno presidencial entre o petista Luiz Inácio Lula da Silva e o tucano José Serra, o presidente do PT, deputado José Dirceu (SP), recebeu várias ligações. Mas uma das que mais o deixaram preocupado foi dada pelo senador José Sarney (PMDB-AP), que apóia Lula.
''Prepare-se!'', aconselhou Sarney. ''O presidente Fernando Henrique entrará com tudo na campanha de (José) Serra (PSDB).'' Dirceu, que controla o PT com mão de ferro, ficou por um momento pensativo. Nem meia hora depois, porém, já estava pendurado no telefone, na articulação política para pescar adesões. Alguns dos novos aliados de Lula, como os candidatos derrotados Anthony Garotinho (PSB) e Ciro Gomes (PPS) aparecerão amanhã, na reestréia do horário eleitoral versão segundo turno.
A propaganda eleitoral será exibida diariamente até o dia 25, inclusive no domingo, sempre a partir das 13 horas e das 20h30. Cada candidato seja a presidente ou a governador - terá dez minutos para apresentar suas propostas.
Lula aparecerá no primeiro programa de TV ainda sob efeito do estilo ''Lulinha paz e amor'', agradecendo a confiança dos 39,4 milhões de eleitores que votaram nele. Na tentativa de mostrar que o PT não governará sozinho, caso vença a eleição, o programa mostrará os apoios recebidos pelo petista e o crescimento nacional do partido, que, com 91 deputados federais e 14 senadores, será a primeira bancada na Câmara e a terceira no Senado.
A intenção é destacar que, se chegar ao Planalto, Lula terá maior sustentação política do que Serra. O resultado das urnas será apresentado como ''antídoto'' contra a tentativa dos tucanos de carimbar Lula como despreparado. Mas o estilo paz e amor não durará muito. Com o dobro do tempo na telinha 20 minutos por dia, divididos em dois programas , o PT subirá o tom, marcando as críticas ao governo, representado por Serra.
Já os coordenadores de comunicação da campanha de José Serra (PSDB), Nelson Biondi e Nizan Guanaes, mudarão totalmente os programas de televisão para a fase seguinte do horário eleitoral gratuito: cenário, apresentadores, jingles, cores, conteúdo. ''Vamos mudar tudo'', avisou Biondi.
Entre uma e outra martelada que ecoava do novo cenário que começou a ser montado na sexta-feira no amplo estúdio da Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo, Biondi contava ''o possível'' sobre os novos programas. Além da comparação entre os candidatos e as administrações dos dois partidos, a grande questão que os tucanos devem levar a debate agora é: quem tem mais competência para governar, o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, ou Serra?
''Lula é um homem respeitável e tem capacidade de liderança, até porque, se não a tivesse, não seria candidato. Mas precisamos ver se está preparado para decidir, porque a equipe assessora e opina, mas quem governa e usa a caneta é o presidente'', disse Biondi. Na comparação entre as administrações tucanas e petistas, o governo federal, cujas realizações foram pouco exploradas até agora, serão incorporadas.
Além de mostrar que os últimos oito anos não foram a ''tragédia que o PT tenta mostrar'', os resultados sociais da gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso servirão como base de comparação com os petistas.
O objetivo é mostrar que, até nos municípios e Estados governados pelo PT, o governo federal resolveu ou atenuou problemas para os quais os correligionários de Lula não encontraram solução.
Na nova estratégia traçada pelos tucanos, Fernando Henrique terá espaço garantido, se quiser. ''Se ele puder entrar na campanha de peito aberto, será ótimo!'', afirmou Biondi.


