Brasília - Em meio aos esforços para aprovar a emenda que prorroga a CPMF até 2011, o Palácio do Planalto montou na manhã de ontem um grupo especial para resolver problemas e divergências na bancada governista no Senado. O governo espera votar ainda neste ano, no plenário, o imposto do cheque. A ''sala de situação'', como o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) batizou o grupo, é formada pelos ministros Guido Mantega (Fazenda), Dilma Rousseff (Casa Civil), Paulo Bernardo (Planejamento) e José Múcio (Relações Institucionais).
O grupo vai apresentar todos os dias um boletim para o presidente sobre as negociações com os senadores e análise das pendências com a base aliada. ''É preciso rever todos os problemas na base, caso por caso'', disse Lula numa conversa com assessores na manhã de ontem, segundo uma pessoa próxima dele.
A orientação do governo é que sejam atendidas demandas e cumpridos acordos já feitos, mas sempre de forma ''decente'', contou um assessor. O Planalto quer ainda que os ministros se empenhem em conquistar o apoio público de senadores que mantém posição contrária ao imposto do cheque, mas que têm interesse na aprovação da emenda. É o caso de senadores que pretendem disputar as eleições para governos de Estado em 2010.
Ministros que atuam no Planalto avaliam que o presidente ''agora'' entrou forte nas negociações, ''tomou as rédeas'' do processo de negociação com os parlamentares. O presidente, a partir de agora, vai intensificar contatos e manter conversas com governadores e senadores para garantir a aprovação do imposto do cheque. As conversas começariam ontem mesmo.
Nesta semana, Lula terá encontros pessoais com pelo menos dois governadores, Paulo Hartung, do Espírito Santo, e Sérgio Cabral, do Rio. Nas viagens que fará aos dois estados na quinta e na sexta-feira, Lula vai pedir empenho de Hartung e Cabral nas negociações com as bancadas capixaba e fluminense no Senado.
Lula, segundo um interlocutor, mantém confiança nos ministros e assessores que estão nas negociações. É o caso do subchefe de Assuntos Parlamentares da Presidência, Marcos Lima, que foi acusado pelo senador Geraldo Mesquita (PMDB-AC), rebelde da base aliada, de tentar cooptar votos. ''Nós confiamos no Marcos Lima'', disse um assessor do Planalto.
Uma demanda em especial não deve ser atendida por Lula. Assessores do governo dizem que aumentou a pressão de setores do PMDB para que o presidente anuncie o nome de um representante do partido como titular da pasta de Minas e Energia. O presidente, porém, avisou que não vai ceder às pressões e só conversa sobre o assunto após a aprovação da CPMF.
Lula ainda manifesta desejo de ver Silas Rondeau de volta ao ministério. Rondeau foi afastado do cargo em maio, depois de uma denúncia da operação Navalha, da Polícia Federal. Em público, Lula tem dito que aguarda a conclusão do Ministério Público das investigações para tomar uma decisão sobre o ministério.

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