São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem na saída da 35ª edição da Francal (Feira de Calçados de Franca), no Anhembi, em São Paulo, que a greve dos servidores – primeira greve do seu governo – não atrapalha a votação das reformas no Congresso. ‘‘A greve dos servidores só atrapalharia as reformas se os deputados fizessem greve’’, afirmou Lula, que ainda disse que a greve é um direito do trabalhador.
  Os servidores decidiram paralisar suas atividades a partir de ontem por causa da reforma da Previdência. Eles querem que o governo retire a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que propõe a reforma para rediscutir pontos como a contribuição dos inativos e o aumento da idade mínima para a aposentadoria.
  Os servidores públicos federais dizem ter paralisado 45% da categoria em todo o País. O governo não publicou seu balanço do movimento até as 20h de ontem. A previsão da coordenação era paralisar 50% da base. Educação, Receita Federal, Previdência e Justiça foram, ainda segundo os servidores, as áreas mais afetadas. Os números são da Cnesf (Coordenação Nacional de Entidades de Servidores Federais) e o resultado comemorado pelos grevistas. A categoria tem cerca de 878,5 mil servidores o que, pelos cálculos da Cnesf, daria 395 mil servidores parados.
  Enquanto os sindicatos fechavam o balanço do primeiro dia de paralisação, alguns representantes reunidos em Brasília tentavam minimizar a importância dos números. ‘‘O fundamental não é quantas pessoas estão em greve, mas mudar a idéia da opinião pública sobre a reforma da Previdência’’, disse Celso Carvalho, coordenador jurídico da Fasubra (servidores de universidades públicas e privadas).
  O otimismo da Cnesf se baseia na perspectiva de o movimento grevista crescer nos próximos dias apesar de não contar com o apoio da CUT (Central Única dos Trabalhadores), que não apóia a greve.

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