Lula manifesta desejo de aliança com PMDB
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segunda-feira, 01 de maio de 2006
Stella Fontes<br>Agência Estado 
São Bernardo (SP) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse ontem, em São Bernardo do Campo, que ''trabalha com a hipótese de uma aliança com o PMDB'' para as eleições de outubro, mas negou que esse desejo implique em pressões para que o partido deixe de lançar candidato próprio à Presidência da República. ''Eu tenho dito em todos os momentos para a direção do PMDB que jamais farei qualquer gesto para que o PMDB não tenha candidato. Não tem nenhum problema. O importante é saber o que está em jogo no Brasil. E o PMDB tem um papel importante nisso'', afirmou em tumultuada entrevista concedida ao deixar a Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem, onde assistiu pelo 25º ano a Missa do Trabalhador.
Ainda sobre o PMDB, Lula disse que não quer dar um passo adiante sem consultar cada envolvido no processo, mas não citou nomes. Indagado sobre o comportamento do ex-governador do Rio Anthony Garotinho, pré-candidato do PMDB à Presidência da República, que se declarou em greve de fome por considerar-se perseguido pela imprensa, Lula comentou: ''Se eu fosse entrar em greve de fome cada vez que a imprensa fala mal de mim, eu seria natimorto''.
O presidente admitiu que também reclama bastante da mídia, não conhece ninguém que não tenha alguma queixa contra os meios de comunicação, mas ressaltou que a imprensa tem um papel importante na vida do País. Lula disse que cada um deve protestar como quiser, e ele também protesta à sua maneira, mas ultimamente não tem reclamado. ''Não tenho reclamado da vida. Se o jogo político é esse, o que vale é o resultado democrático'', ponderou.
Lula garantiu ainda não ter pressa para formalizar sua candidatura à reeleição, lembrando que tem prazo até 30 de junho para fazê-lo e que, por isso, não está pressionando o Partido dos Trabalhadores. ''O PT tem que ter maturidade para saber a importância da reeleição...'', declarou, corrigindo-se em seguida: ''Para saber da importância da aliança política para o processo da reeleição...'' Depois da entrevista, Lula seguiu para o seu apartamento, em São Bernardo. Segundo assessores, ele deverá retornar a Brasília ainda nesta segunda-feira.
Durante a Missa do Trabalhador, Lula disse que depois de deixar o governo, pretende passar pelos mesmos lugares que frequentava antes, ''com a consciência do dever cumprido''. Especificamente em relação à missa na Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem, ele manifestou a esperança de continuar participando do evento religioso ''por mais uns trinta 1º de maio''.
O presidente, que inicialmente havia comentado a intenção de não falar durante a missa, alegando que já falara demais nos últimos dias, acabou mandando um recado aos seus adversários políticos, aos quais advertiu que não baixará o nível da campanha política. ''Estou vendo as pessoas nervosas, irritadas e eu não vou responder. São vocês quem vão julgar quem é quem na política brasileira. Não pode haver uma disputa de baixo nível pela imprensa.''
Lula também falou sobre economia e declarou-se feliz ao destacar que a geração de empregos pelo setor privado no País registra saldo positivo há 39 meses, com uma média de 95 mil novos postos por mês. Depois de admitir que houve muitas demissões entre os metalúrgicos, principalmente nas montadoras, o presidente comentou que os trabalhadores ainda estão longe de concretizarem todos os seus sonhos, ''mas o pesadelo já diminuiu''. Depois de recordar que o 1º de Maio de 79 em São Bernardo só foi comemorado depois que uma multidão cercou a Polícia Militar que queria impedir a manifestação, Lula convidou os presentes a refletirem sobre o que aconteceu ao longo dos últimos 27 anos e destacou que hoje a democracia predomina na América Latina.


