Brasília - Depois de três semanas sob um bombardeio de denúncias de corrupção, toda a diretoria dos Correios foi demitida ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente da estatal, João Henrique de Almeida Sousa, e mais três diretores pertenciam à cota do PMDB, partido do ministro das Comunicações, Eunício Oliveira, ao qual os Correios são subordinados. Das outras três diretorias, duas eram ocupadas por indicados do PT e uma por indicação do PTB, do deputado Roberto Jefferson (RJ).
A decisão de demitir esses servidores foi tomada no início da tarde, em reunião do presidente Lula com Eunício Oliveira e o ministro da Fazenda, Antonio Palocci. De acordo com a assessoria do Ministério, o presidente Lula determinou aos ministros que se encontrasse uma solução definitiva e eles optaram pela demissão de todos os diretores, inclusive do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) (leia texto nesta página).
Eunício Oliveira relatou, segundo sua assessoria, que Lula aparentava estar bem e não demonstrava irritação. A decisão foi comunicada em seguida à diretoria dos Correios e o presidente da estatal e cinco diretores da empresa encaminharam ao Ministério das Comunicações uma carta de demissão coletiva.
Até a noite de ontem, o governo ainda não tinha decidido os nomes dos substitutos dos diretores. Mas, de acordo com a assessoria de Eunício, o ministro quer uma solução mais técnica que política para o comando da estatal. Apesar disso, circulou entre pessoas ligadas ao Ministério que a presidência dos Correios poderia ser ocupada pelo secretário-Executivo das Comunicações, Paulo Lustosa, que é ligado ao senador José Sarney (PMDB-AP).
João Henrique assumiu a presidência dos Correios em março do ano passado, indicado pelo ministro Eunício Oliveira por sugestão do presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP). Ele já foi três vezes deputado federal e, em 2002, foi ministro dos Transportes, no fim do governo Fernando Henrique Cardoso. João Henrique evitou comentar a decisão de Lula, dizendo apenas, por meio de sua assessoria, que se trata de um ato de natureza política e não administrativa.
Também estavam na cota do PMDB o diretor Comercial, Carlos Eduardo Fioravanti da Costa, que é segundo suplente do senador Hélio Costa (PMDB-MG), o diretor de Recursos Humanos, Robinson Koury Viana da Silva, suplente do senador Ney Suassuna (PMDB-PA), e o diretor Econômico-Financeiro, Ricardo Henrique Suner Caddah, funcionário de carreira da Caixa Econômica Federal (CEF), indicado por Eunício.
O PT tinha dois diretores, de Tecnologia e Infra-Estrutura, Eduardo Medeiros de Morais, e de Operações, Maurício Coelho Madureira, que pertencem aos quadros dos Correios, na função de administrador postal. O diretor de Administração, Antônio Osório Menezes Batista, indicado pelo PTB, já havia pedido anteontem seu afastamento, depois da divulgação das denúncias feitas pelo deputado Roberto Jefferson.

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