Brasília - Em duas reuniões com o núcleo político, ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enquadrou ministros, pedindo o fim das divergências públicas e a execução das ações políticas do governo. Lula quer evitar crises que considera artificiais, como a protagonizada pelo ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, que, em declaração a parlamentares e empresários, chamou de ''vagabundo'' o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Guido Mantega.
Coube ao chefe da Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica da Presidência da República, Luiz Gushiken, dar o recado aos ministros: ''O político, no partido, no Parlamento e no Executivo, não tem a mesma margem de exercício da liberdade de opinião.'' ''Tenho dito que liberdade de opinião dos ministros e assessores que o presidente escolheu se restringe às reuniões internas. Mas, a partir do momento em que o dirigente eleito toma uma decisão, não cabe mais o exercício da liberdade individual de ministros e assessores. O importante é uma ação única do governo.''
No encontro da manhã, ao cobrar mais ação do governo, o presidente afirmou que considera pertinentes as queixas de Rodrigues de que a gestão é muito lenta na tomada de decisões.
Lula lembrou que ele e o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, saíram da iniciativa privada e ficam angustiados quando as coisas não dão certo. ''Muitas vezes, quando quero resultados e não vejo nada, fico tão angustiado quanto eles, principalmente na geração de empregos'', disse, segundo relato de um dos participantes.
Lula afirmou que, apesar da crise causada pelos comentários a respeito de Mantega, o ministro da Agricultura tem o perdão antecipado e não sai da administração federal, ''de jeito nenhum''. O presidente disse que o admira muito, pela competência e lealdade, e lembrou que é na área da agricultura que a economia mais está dando certo.
Lula quis saber ainda dos conselheiros o que fazer para evitar a paralisia do Poder Executivo. Ele pediu ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão um levantamento detalhado sobre a execução orçamentária para ter um quadro claro sobre como está a liberação de recursos. São números fundamentais para a coordenação política adotar uma estratégia de ação com o objetivo de dar agilidade à União e acalmar a base aliada.
Nas audiências, foram analisados ainda os resultados das últimas pesquisas internas de opinião encomendadas pelo Planalto. Os dados não foram divulgados, mas apontam o desgaste do governo com a crise Waldomiro Diniz.
Além de Gushiken, participaram das reuniões os chefes das Secretarias de Coordenação Política e Assuntos Institucionais, Aldo Rebelo, e Geral da Presidência, Luiz Dulci, o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e o secretário especial do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), Jaques Wagner. O chefe da Casa Civil, José Dirceu, só foi à reunião da tarde, assim como o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.
Assessores do Planalto confirmaram que Lula está muito irritado com a burocracia da máquina governamental. Ele, constantemente, diz estar angustiado, especialmente com a questão da criação de empregos.
Nas reuniões, em tom crítico, ele afirmou que não existe só a questão de dinheiro e voltou a exigir mais criatividade da equipe. O presidente queixou-se ainda da falta de entrosamento em algumas pastas, o que faz com que os poucos recursos existentes, às vezes, se percam porque não são usados.

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