Brasília Na primeira reunião com prefeitos de todo o País desde que tomou posse, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que não esquecerá para quê foi eleito e, mais uma vez, pediu paciência diante das dificuldades. ''Não vamos ficar chorando o dinheiro que a gente não tem. Nós precisamos definir corretamente o que fazer com o pouco que a gente tem.'' Apesar da crise, 16 dias depois do encontro com os governadores, Lula decidiu abrir a mão, na tentativa de contornar as resistências dos prefeitos em relação à reforma tributária: prometeu a liberação de R$ 1,4 bilhão para saneamento e retomada de obras paradas nos municípios.
Diante de uma platéia formada por 2 mil prefeitos que choram por mais recursos e participam até amanhã da 6 Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, Lula concordou com o chefe da Casa Civil, José Dirceu, para quem a política monetária e fiscal é um meio e não um fim em si mesmo. ''Eu acho que é preciso fazer superávit primário por uma questão de responsabilidade, mas não pode o superávit primário ser a única razão da administração pública para prefeitos, governadores e presidente da República'', defendeu, numa referência à economia de gastos para pagar os juros da dívida.
O presidente fez a afirmação ao criticar o fato de a Caixa Econômica Federal (CEF) ter contratado R$ 262 milhões, em 2002, para obras de saneamento e infra-estrutura, gastando somente R$ 19 milhões do dinheiro reservado. Disse que levantamento preliminar indicou 1.674 obras paralisadas só no âmbito do Ministério das Cidades. ''Não é possível que você fique com dinheiro em caixa, mesmo que seja um real, com tanta necessidade neste País'', argumentou. Mas deixou claro que não fará ''auditoria'' do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Bem-humorado, Lula disse que até parecia ''um prefeito'' falando e pediu compreensão para o aperto financeiro, ao mencionar a tesourada de R$ 14,1 bilhões no Orçamento da União. ''Não fizemos cortes porque gostamos. Fizemos cortes porque é necessário e sabemos o que isso significa no sonho de uma nova política de distribuição de renda.''

mockup