Lula lança pacote de urbanização de favelas
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sábado, 01 de dezembro de 2007
Alexandre Rodrigues e Wilson Tosta<br>Agência Estado 
Rio - Em uma rara incursão do comboio presidencial numa favela instalada numa encosta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu início ontem às obras de urbanização do Complexo do Cantagalo, Pavão e Pavãozinho, no coração da zona sul do Rio. As obras fazem parte do pacote de cinco favelas da capital e de Niterói que foram contempladas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Lula foi a uma escola da comunidade, onde acionou o bate-estacas da primeira obra de contenção do projeto, que vai investir R$ 35 milhões em dois anos no alargamento de ruas, construção de unidades habitacionais e saneamento básico. Ele afirmou que as comunidades mais pobres do Brasil guardam ''a essência da raça brasileira'' e prometeu dignidade aos moradores de favelas.
''Rico, quando mora em morro, é chique. Pobre é favela, é vergonha'', disse o presidente. ''Não vamos construir mansão, não temos dinheiro para isso, mas vamos transformar onde vocês moram em um lugar decente e digno, do qual vocês possam se orgulhar'' prometeu o presidente. A principal obra no Cantagalo será um elevador, nos moldes do Lacerda de Salvador, que vai ligar o alto do morro à praça da futura estação do metrô de Ipanema. ''Tem gente que vai dizer: para que pobre vai querer elevador? Elevador é para pobre sim, para subir esse morro com sacola, botijão de gás'', disse, arrancando aplausos.
Segundo o presidente, R$ 40 bilhões serão aplicados pelo PAC em todo o Brasil na urbanização e saneamento de comunidades carentes nas 13 maiores regiões metropolitanas do País. Desse total, R$ 2,092 bilhões serão aplicados no Estado do Rio, incluindo interior e Baixada Fluminense. A presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Coelho, informou que o banco vai financiar R$ 4,2 bilhões em obras urbanísticas e que 86% de todos os projetos do PAC contemplados no País já foram entregues por Estados e municípios.
O presidente se enganou quando disse ter ouvido do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) que a primeira favela do Rio, o Morro da Providência, foi formada por ex-soldados da guerra do Paraguai. Na verdade a favela originou-se pouco depois, a partir do assentamento de ex-combatentes das expedições contra os liderados de Antônio Conselheiro em Canudos, no final do século 19. Lula fez muitas referências e elogios a Crivella, pré-candidato à prefeitura do Rio, embora na platéia houvesse pelo menos três pré-candidatos do PT.
A um grupo de sem-teto que protestava, Lula prometeu estudar uma maneira de utilizar imóveis da União para assentar famílias. ''Tem muito prédio público que o governo federal não usa e que fica juntando barata'', afirmou. Lula atribuiu o repasse de recursos ao bom relacionamento dele com Cabral, muito diferentemente do que teve com o casal Garotinho. O governador reconheceu que sem ajuda federal ''não teria condições de investir nem 10%'' e decretou o fim da ''política da bica d'água'' nas favelas. ''Vamos mudar de uma maneira radical essas comunidades. E devemos tudo isso ao amor, ao respeito e à decisão política do presidente Lula'', retribuiu Cabral. Apesar de a prefeitura participar do projeto, o prefeito Cesar Maia (DEM) não compareceu.
Ao contrário da expectativa, a favela não foi tomada ostensivamente por homens do Exército. Além da segurança da Presidência, apenas a Polícia Militar reforçou o efetivo do policiamento comunitário local, que espalhou soldados em cada beco e escadaria.


