Brasília O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou oficialmente na tarde de ontem o principal programa do início de seu governo: o Fome Zero. Antes de iniciar o discurso, o petista assinou o decreto que criou o Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea).
Em cerimônia no Planalto para cerca de 500 convidados, Lula ressaltou em seu pronunciamento que ''o programa Fome Zero é tão complexo quanto o inimigo que ele se propõe a derrotar''. ''O programa reúne o conjunto de ações simultâneas que serão desenvolvidas ao longo de quatro anos de governo.''
O presidente detacou que a vitória contra a fome vai exigir o esforço de todos os brasileiros e disse que o problema ainda não foi resolvido porque, apesar de muitos terem tentado, a causa da fome ''não teve a prioridade que merece, nem contou com a indispensável mobilização da sociedade''. Lula prometeu que o programa ''combinará um modo novo, ações emergenciais com ações estruturais''. ''Se não atacarmos as causas da fome, ela sempre irá voltar, como já aconteceu outras vezes em nossa história.''
Segundo o presidente, ''é necessário criar empregos nas regiões onde hoje existe fome e pobreza, melhorar as condições de vida da população, dar ao povo educação de qualidade, saúde digna, salário e renda''. Lula disse ainda que ''o combate à fome passa pela reforma agrária, o incentivo à agricultura familiar, o estímulo ao cooperativismo, ao microcrédito e à alfabetização''.
Governadores de 17 Estados estiveram presentes à cerimônia, entre eles os tucanos Geraldo Alckmin (SP), Aécio Neves (MG), Marconi Perillo (GO) e Lúcio Alcântara (CE). Para Aécio, o fato de os governadores do PSDB estarem presentes à cerimônia demonstra a intenção de se colaborar com o programa do governo federal. Ele defendeu a unificação dos cadastros dos programas sociais já em execução pelo governo federal para que não haja duplicidade de ações.
Alckmin disse que o seu Estado necessita dos recursos do Fome Zero para fazer frente à exclusão social. ''São Paulo, com 37 milhões de habitantes, tem enormes bolsões de pobreza. Na região metropolitana, temos uma periferia extremamente pobre. O programa está começando, mas tenho certeza de que vai chegar a São Paulo'', disse.
Lula disse que o Fome Zero envolve praticamente todos os ministérios, os governos estaduais, as prefeituras, as entidades da sociedade, as empresas e a população. ''Todos terão um papel a desempenhar neste histórico desafio''. O presidente afirmou que todos, a seu tempo, serão convocados para ajudar nesta guerra de combate a forme. ''Hoje estamos dando um grande passo e sei que até atingirmos nossa mesta será uma grande caminhada'', afirmou.
Ele acrescentou que a fome não é um problema só do Brasil mas um flagelo mundial que castiga bilhões de seres humanos em todo o planeta. Segundo Lula, os brasileiros têm obrigação de fazer a sua parte mas as nações mais ricas também tem que fazer a parte delas. ''Foi por isso que fiz questão de levar a Davos a causa do combate a forme para incluí-la na agenda dos países e dos empresários mais ricos do mundo'', disse.

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