Lula lança críticas ao prefeito Cheida
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domingo, 08 de dezembro de 1996
Maria Teresa Martins<br>Sucursal de Curitiba 
O líder do PT, Luis Inácio Lula da Silva, deixou claro ontem em entrevista coletiva à imprensa, em Curitiba, que o prefeito Luiz Eduardo Cheida teria que ter superado o impasse político com o deputado federal e candidato derrotado à prefeitura de Londrina, Paulo Bernardo (PT), em favor do processo eleitoral no município. Ninguém tem o direito de colocar seu ego, suas vaidades e interesses pessoais acima das questões partidárias, disse. Ele esteve em Curitiba participando de reunião entre prefeito, vice-prefeitos e vereadores do partido.
Cheida rebateu as acusações de Lula afirmando que o desentendimento entre ele e o deputado Paulo Bernardo não é pessoal. Não há nada de vaidade. As irregularidades que apontei chegam à fraude, reforçou. O prefeito se refere ao processo de escolha do candidato à sua sucessão na Prefeitura de Londrina (leia nesta página).
Lula diz que questões como a de Londrina precisam ser resolvidas pelo PT do Paraná. O PT estadual terá que se debruçar sobre o assunto. Quem está com a razão: Cheida ou Paulo Bernardo?. Para Lula, quem for derrotado terá que aceitar a deliberação do partido. Um dos dois terá que acatar a decisão partidária, caso contrário, diremos a ele que o partido que você quer não é esse. O afastamento é a última hipótese. Lula lembrou que a disputa em Londrina repetiu-se em Diadema (SP). Perdemos as eleições por problemas internos.
O líder do PT diz que as disputas entre as administrações, bancadas e militantes devem ser um dos principais assuntos em discussão pelo partido em 1997, acima da questão da reeleição. Não dá prá fingir que não está acontecendo nada. Nós vacilamos e as questões não foram resolvidas. Não é possível que a crise ocorra durante a escolha do candidato, continue durante a campanha e no apoio no segundo turno, referindo-se ao caso específico de Londrina.
Lula criticou várias vezes a imprensa, em especial na abordagem sobre crise interna que ocorre quando o PT está no poder. A imprensa esquece que o PT funciona o ano inteiro independente das eleições. De outro lado, deixou claro também que o movimento sindical do PT tem que ser co-responsável nas decisões no campo administrativo.
O orçamento não pode ser gasto só com salário, tem que ter dinheiro para saúde, educação . Ele lembrou que no Espírito Santo, o governador Vitor Buaiz (PT), rompido com partido, arrecada em impostos R$ 175 milhões e gasta R$ 178 milhões com a folha de pagamentos.
Lula falou ainda sobre a aposentadoria que recebe como anistiado político, no valor de R$ 2,1 mil. Todos os perseguidos políticos tiveram prejuízos reparados pela União. Perdi um emprego estável de 17 anos. Reivindico algo constitucional, disse. Em 1994, Lula dizia que não podia ter tratamento especial só porque foi cassado. Ele quer que a imprensa mostre também a aposentadoria do presidente Fernando Henrique Cardoso .
O líder do PT informa que não quer ser candidato pela terceira vez a Presidência da República e não descarta uma grande aliança com setores dos partidos, como do PMDB do Paraná, na ala do senador Roberto Requião. Lula admitiu ainda discutir um candidato alternativo ao PT para concorrer numa frente ampla contra o sucessor de FHC.


