Brasília - Um dia depois da sua quinta reunião com os governadores, que novamente não chegou a um acordo sobre os pontos mais polêmicos da reforma tributária, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem, em tom de desabafo, que ''uma das coisas mais difíceis em política é a unanimidade''.
Sem se referir às dificuldades da tramitação das propostas de reforma que enviou há seis meses ao Congresso, o presidente disse que ''na política as coisas nunca acontecem como a gente deseja, acontecem sempre como é possível acontecer''.
''Vocês sabem que aprovar uma lei neste país é fácil, é só ter maioria no Senado e na Câmara e a gente aprova. E, muitas vezes, você faz uma lei que debate a disponibilidade de recursos e as coisas não acontecem como a gente gostaria e como está na própria lei''. E concluiu: ''A política existe justamente para exprimir as diferenças e formas de agir e pensar, e é bom que assim seja, porque essa diversidade nos enriquece''.
Valendo-se de uma metáfora sobre a família (sua comparação preferida, depois do futebol), Lula disse que muitas pessoas passam o ano inteiro pensando em comprar um presente para o neto e não conseguem, sendo obrigadas a deixá-lo para o ano seguinte. ''Na política também é assim'', disse.
Lula fez essas considerações em discurso de improviso que proferiu depois de sancionar o Estatuto do Idoso, no Palácio do Planalto. Durante a reunião com os governadores, anteontem, segundo relatos de participantes, ele já havia feito um desabafo, afirmando que agora estava vendo como é difícil negociar a reforma tributária, em razão da divergência de interesses dos Estados.
No discurso de ontem, Lula misturou considerações de natureza pessoal e política com reflexões sobre a velhice, conselhos aos idosos e até comentários sobre a novela ''Mulheres Apaixonadas'', da TV Globo. Ele disse que, ao completar 50 anos, percebeu que tinha menos tempo pela frente do que o que já tinha vivido. Então, resolveu tornar o tempo que tinha pela frente mais prazeroso.
''Quando eu tinha 20 anos, nunca pensei em ter 50. Parecia tão longe, eu achava tão difícil chegar aos 50 anos, e já vou completar 58 neste mês. Eu quero chegar aos 80, aos 90. E, se Deus for generoso comigo e me fizer chegar aos 100, será muito bom'', afirmou Lula. O presidente afirmou também que, quando vê a novela ''Mulheres Apaixonadas'', sente vontade de ''dar umas palmadas'' na personagem Dóris (Regiane Alves), pelo jeito desrespeitoso com que trata os avós Flora (Carmem Silva) e Leopoldo (Osvaldo Louzada).

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