Lula insiste na CPI da Telebrás
Agência Estado
O presidente de honra do PT, Luís Inácio Lula da Silva, disse ontem, antes da abertura da Conferência Nacional de Prefeitos do PT que se realiza na Câmara dos Deputados, em Brasília, que o colapso no sistema de telefonia à distância mostra a necessidade de se fazer uma CPI da privatização do Sistema Telebrás. Ele adiantou que, na agenda da oposição para o segundo semestre do ano, além da discussão das reformas, estão a instalação dessa CPI e o enquadramento do presidente Fernando Henrique Cardoso no crime de responsabilidade. Segundo Lula o presidente demorou para agir no caso dos telefones.
Mais grave é a incapacidade do presidente tomar decisões, afirmou o petista. Ele virou marionete na mão de uma maioria que ele critica o tempo inteiro. Lula disse que não há nenhuma possibilidade de ele vir a se reunir com o presidente, depois do encontro secreto entre ambos no fim do ano passado, no Palácio da Alvorada.
Ele se encastelou numa redoma de vidro, é prisioneiro de si mesmo, não toma decisão, não articula politicamente. Não tenho nada a dizer a ele, afirmou Lula, avaliando que hoje FHC está numa situação mais isolada do que aquela em que estava no fim do ano passado, quando ambos se encontraram.
Lula criticou também o governo e os parlamentares da base governista pelo que qualificou de fiasco, referindo-se ao insucesso das duas CPIs que estão sendo conduzidas pelo Senado. Ele também criticou o presidente pelo privilégio concedido à Ford para instalação de uma fábrica na Bahia. Sou favorável à descentralização industrial, mas o Estado não pode prescindir de dinheiro público que precisa ser usado para tocar as políticas sociais, para ajudar a segunda maior multinacional do ramo automobilístico no mundo, afirmou.
Ele desafiou o presidente a vetar a lei que garante subsídios à instalação da fábrica da Ford na Bahia, articulada pelo presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), para provar que manda no governo.
Fernando Henrique vai ter de decidir se manda ou não no governo; o ACM deu a ele uma oportunidade de mostrar quem apita no governo, disse Lula, em relação ao eventual veto presidencial.
A fábrica da Ford seria instalada originalmente no Rio Grande do Sul, mas o governador petista Olívio Dutra rompeu o acordo feito pelo antecessor, Antônio Britto (PMDB), e a montadora está transferindo o empreendimento para a Bahia. O PT ressente-se das críticas recebidas por ter perdido o investimento no Estado. Lula tentou justificar a perda do RS, dizendo que Dutra ofereceu compensações à montadora e, mesmo assim, a empresa desistiu do projeto.





