Brasília O presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu ontem as primeiras mudanças na equipe. O Palácio do Planalto confirmou a demissão do ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, e, à noite, Lula teria formalizado o convite ao líder do PSB na Câmara, Eduardo Campos (PE), para o substituir. Está quase certa também a indicação do deputado Patrus Ananias (PT-MG) para o novo Ministério do Desenvolvimento Social. O secretário especial do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), Tarso Genro, cogitado para o cargo, anunciou que permanecerá à frente da secretaria, abrindo espaço para Ananias, que recebeu o apoio decisivo da bancada do PT na Câmara e do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB).
O anúncio da primeira reforma ministerial do presidente será amanhã, depois da conversa dele com a cúpula do PMDB, marcada para às 10 horas. O comando peemedebista espera ouvir, finalmente, o convite para que o partido ingresse no governo, após uma longa espera. Depois, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), se reunirá com os senadores para escolher o nome que representará a bancada em um dos dois ministérios que caberá à legenda. ''Não podemos discutir nomes sem convites. Nossa preocupação é manter a unidade da bancada depois da reforma.''
As negociações entre o Planalto e a sigla são feitas pelo chefe da Casa Civil, José Dirceu. Os peemedebistas esperam ser efetivados nos Ministérios das Comunicações e da Previdência Social. O líder do PMDB na Câmara, Eunício Oliveira (CE), foi indicado pela agremiação para a pasta das Comunicações. Para a Previdência, a escolha será entre os senadores Maguito Vilela (PMDB-GO) e Garibaldi Alves (PMDB-RN).
A preocupação da administração federal ontem era com a exigência do partido em controlar todos os cargos das pastas, a chamada verticalização. Nas Comunicações, Oliveira poderá nomear o secretário-geral da legenda, João Henrique, para a presidência da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT). Mas a sigla não tem chance de mexer no comando da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), uma vez que o novo presidente, Pedro Jaime Ziller, assumiu com a indicação do ministro, Miro Teixeira, e terá mandato até fim de 2005. Para compensar, a agremiação não quer abrir mão dos postos do Ministério da Previdência, nas mãos do PT.
Outros também estão com destino indefinido, como os ministros extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome, José Graziano, e da Assistência e Promoção Social, Benedita da Silva.
A ministra já avisou a seus companheiros da seção fluminense da Articulação, tendência do PT à qual também pertence Lula, que não pretende aceitar compensações pelo cargo que perderá. Em reunião com os petistas da corrente, no dia 9, no Rio, ela descartou todas as especulações sobre o seu destino, após a demissão segundo algumas apostas, uma embaixada na África, uma candidatura à prefeitura da capital ou à Câmara dos Vereadores ou mesmo uma secretaria ou assessoria no governo federal.

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