Lula gastou 'patrimônio' ganho em 2002
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 24 de agosto de 2005
Jander Ramon<br> Agência Estado 
São Paulo - A cientista política Lúcia Hipólito disse ontem que uma informação da pesquisa do Ibope, divulgada terça-feira, deve ''ser olhada com carinho'' nos próximos levantamentos de opinião: a oscilação das intenções de voto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Como sempre contou com ''votos duros'' de 35% do eleitorado, de difícil reversão, ela entende que o presidente possa estar ''gastando'' os votos conquistados nas faixas de eleitores acima do seu patamar histórico.
''É possível que em quase três anos de governo o presidente tenha gastado os juros e ficou somente com seu ativo de muitos anos'', comentou. Ela explicou que a base de cerca de 35% dos votos não servirá para Lula ser competitivo na campanha pela reeleição. ''A bagagem histórica de Lula está em torno de 33% dos votos e isso sempre foi insuficiente para elegê-lo. Somente quando rompeu essa barreira ele venceu a disputa'', analisou.
Portanto, ela entende que caso Lula posicione-se nas pesquisas num patamar abaixo de 35% das intenções, terá sua reeleição praticamente impossibilitada. Na pesquisa, Lula teria 29% das intenções de voto no primeiro turno, caso a eleição presidencial fosse hoje, ante 30% do prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB). Na disputa com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), Lula teria 32%, enquanto o tucano ficaria no patamar de 11% e o secretário de Governo do Rio, Anthony Garotinho, em 17%.
Outro ponto destacado pela cientista política é a ''vinculação'' entre o nível de conhecimento dos entrevistados sobre a crise política e o grau de confiança no presidente. ''Quanto mais as pessoas se inteiram sobre a crise, mais cai a credibilidade do presidente'', observou.
Lúcia citou que no levantamento de junho, quando 72% dos entrevistados tinham conhecimento da crise política, 53% confiavam no presidente da República e 42% não confiavam. Agora, como 81% sabem da crise, houve inversão da percepção de confiança: 52% não confiam em Lula; 43% confiam. ''Isso significa que o presidente não sabe dar respostas ao agravamento da crise. Daqui a pouco, 90% dos entrevistados saberão da crise. Para onde irá a credibilidade do presidente?'', indagou.


