Lula garante governabilidade sem o PMDB
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quinta-feira, 09 de dezembro de 2004
Das agências 
Cuzco - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que o País manterá a governabilidade se o PMDB deixar de participar da base aliada do Palácio do Planalto no Congresso. Em entrevista durante a 3 Cúpula de Presidentes Sul-Americanos, na cidade histórica de Cuzco, no Peru, Lula deixou claro que aceitará com ''tranquilidade'' eventuais saídas de ministros peemedebistas do governo. ''Eu preciso na verdade é do Congresso Nacional'', disse. ''Nós temos disputas, mas historicamente o Congresso sempre agiu com responsabilidade e aprovou projetos de interesse nacional'', afirmou.
Ele salientou, no entanto, que continua aberto ao diálogo e não tomará decisões precipitadas. O presidente destacou que o partido está dividido. ''Tem muita gente que quer conversar.''
Lula criticou líderes peemedebistas que defendem o rompimento com o governo, ressaltando que a ''oposição'' tem o direito de antecipar as eleições para 2005. ''O governo não pode permitir que as eleições (de 2006) permeiem a sua atuação em 2005.'' Ao comentar o problema com setores do PMDB, Lula lembrou das reuniões que teve com a direção do partido e as bancadas peemedebistas na Câmara e no Senado nos últimos meses. ''Agora, a autonomia do partido é intocável. O partido tem de ter liberdade para decidir sobre o que quiser'', disse.
O presidente Lula e seus aliados no PMDB foram derrotados na tensa e conturbada reunião de ontem da Executiva Nacional do partido. Por 9 a 8 votos, foi aprovado um pedido de entrega dos cargos federais no prazo de 48 horas como condição para adiar a convenção de domingo da sigla.
Como os governistas do partido já disseram que não acatarão a decisão, está mantida a convenção do próximo domingo convocada pelos oposicionistas e que, se obtiver quórum, deverá reiterar a decisão da Executiva. Os governistas foram derrotados porque o adiamento da convenção era o objetivo da reunião da Executiva que eles próprios convocaram. Ao medir forças, os governistas mostraram que não têm o controle formal da direção partidária e se disseram surpreendidos com duas supostas traições.
A saída dos aliados de Lula agora será tentar esvaziar a convenção de domingo, boicotando o quórum (o mínimo de 260 dos 519 membros com direito a voto), ou tentando uma decisão liminar na Justiça que a invalide.
O presidente nacional do partido, deputado Michel Temer (SP), afirmou que a decisão em favor da saída dos ministros da administração federal significará que ''o partido está no caminho da independência''. Temer comprometeu-se a preparar a legenda para a sucessão presidencial em 2006.
O ministro da Previdência, Amir Lando (RO), disse que ninguém vai entregar cargo ao governo. Lando, que esteve reunido com os líderes do partido no Senado, afirmou que a decisão significa uma ''cisão'' entre as bancadas e a direção do partido.


