Lula foi alertado por Jefferson, diz Aldo
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 06 de junho de 2005
Eduardo Scolese, Ana Flor e<br>Kennedy Alencar<br> Folhapress 
BRASÍLIA - O ministro Aldo Rebelo (Coordenação Política) disse ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha conhecimento desde março passado do suposto pagamento de mesadas a deputados federais do PL e do PP, mas afirmou que o caso não envolve o governo e, sim, partidos políticos. Escalado pelo Palácio do Planalto para falar à imprensa sobre a entrevista à Folha de S.Paulo do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), Aldo afirmou que o presidente recebeu o presidente do PTB em seu gabinete e o ouviu falar do ''mensalão''. Aldo disse que Lula agiu na época ao pedir a ele e ao líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), ''informações sobre o comentário do deputado Roberto Jefferson''.
Em rápida e tumultuada entrevista, Aldo afirmou que as acusações envolvem partidos políticos, não o governo: ''É bom deixar claro que não há nenhuma acusação que relacione o pagamento a parlamentares por parte do governo. A denúncia do deputado Roberto Jefferson refere-se ao hipotético pagamento de um partido a parlamentares de outros partidos. O governo não sofreu qualquer tipo de acusação''.
De acordo com Aldo, o encontro no qual Jefferson falou do suposto ''mensalão'' teve ainda a presença de Chinaglia, do ministro Walfrido Mares Guia (Turismo) e do líder do PTB na Câmara, José Múcio (PE). ''De passagem, durante essa conversa (em 23 de março passado), Jefferson fez referência ao pagamento (de mesadas) a parlamentares na Câmara dos Deputados (...). Jefferson não fez referência nem a fatos, nem a pessoas, fazendo apenas um comentário genérico.''
Na versão do governo, Jefferson não fez menção a Delúbio Soares, tesoureiro do PT, como o suposto pagador da mesada. Na entrevista à Folha de S.Paulo, Jefferson disse que falou do tesoureiro ao presidente.
A reação do governo a Jefferson foi discutida em vôo de São Paulo a Brasília entre Lula, Chinaglia, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP). ''Não vou mentir. Não vou dizer nada que me comprometa depois'', afirmou Lula. O presidente disse ser ''ridícula'' a versão de Jefferson de que chorou quando soube do mensalão.
Em conversas reservadas, Lula mostrou preocupação com a alta do dólar e a queda da bolsa, avaliando que a crise política afetou a economia ontem. Por isso, preocupou-se em blindar também o ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda), que divulgou nota negando ter ouvido de Jefferson menção ao mensalão.
Semanas após a audiência com Jefferson, Aldo disse que Lula foi informado de que um procedimento sobre o tema havia sido aberto e arquivado (no período de dois dias) na Corregedoria da Câmara. A base da investigação foi reportagem de setembro de 2004 do ''Jornal do Brasil'' (leia na página 6).
O ministro ficou em silêncio quando questionado sobre a eventual entrada da PF (Polícia Federal) no caso, acerca da permanência ou não do PTB na base aliada do governo (com seus cargos nas estatais) e a respeito de qual foi a ação (se existiu) do presidente ao receber os retornos de Aldo e Chinaglia.


