Brasília A intensa programação de viagens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo interior do País revela que, por causa do escândalo Waldomiro Diniz, ele precisou ir para a rua defender seu governo, em uma tentativa de reverter a queda na sua popularidade e estabelecer um contraponto político às acusações de imobilismo da máquina administrativa. Só que a agenda presidencial, de acordo com os oposicionistas, deixa claro que o governo já começou a trabalhar pelos políticos da base aliada que disputarão as eleições municipais no mês de outubro.
''O presidente está fugindo da crise fazendo um périplo político pelos redutos eleitorais dos aliados, deixando claro que está em um momento pré-eleitoral'', atacou o líder do PFL, senador José Agripino (RN).
Nos últimos dias, Lula tem participado de inaugurações de diversos tipos de obras como a ponte em Itinga (MG), município cujo prefeito é do PL. Ou um centro de saúde bucal, onde ostensivamente apoiou o prefeito Cid Gomes, irmão do ministro Ciro Gomes, dando uma mãozinha a petistas e aliados que vão disputar as eleições em Sobral (CE).
Na terça-feira, ele visitará três municípios no Acre, Estado governado pelo petista Jorge Viana. Em Rio Branco, ao lado de Viana, inaugura o Hospital do Idoso. Na cidade de Manoel Urbano, cujo prefeito também é petista, relança o Correio Aéreo Nacional (CAN). Lula ainda visitará Cruzeiro do Sul, governado pelo PPS, outro aliado.
O presidente do PT, José Genoino, reage às críticas da oposição, alegando que Lula está governando e já avisou que não vai subir em palanque de campanha. ''As ações do governo é que ajudam a base aliada e a defesa do governo vai ser feita justamente pela base'', disse Genoino, ao lembrar que quando Lula vai às inaugurações, convida integrantes dos partidos que o apóiam.

mockup