São Tomé e Príncipe - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva será recebido hoje num clima de expectativa em São Tomé e Príncipe, um país africano de língua portuguesa que enxerga no Brasil a alternativa mais viável para sair da pobreza e do isolamento cultural. A ajuda brasileira, a partir dos anos 90, está vindo a conta-gotas, mas já é significativa para uma nação de apenas 180 mil habitantes, sem indústria e com altos índices de analfabetismo e desemprego. À exceção da administração local, o governo brasileiro é o maior empregador no país. Por meio de convênios que sofrem com a falta de verbas, o Brasil paga salário de US$ 27 US$ 7 acima do salário mínimo local para cerca de 150 pessoas.
Na capital, São Tomé, Lula terá encontros separados com os presidentes de São Tomé e Príncipe, Fradique Bandeira Melo de Menezes, e de Portugal, Jorge Sampaio. À noite, Lula participará da 5 Conferência dos Chefes de Estado dos Países de Língua Portuguesa. Na terça-feira à tarde, o presidente brasileiro segue para o Gabão, um país de colonização francesa, onde permanecerá até o dia 28. De lá, Lula irá para Cabo Verde, escala final de sua segunda viagem à África Negra. Em novembro do ano passado, o presidente visitou cinco países, incluindo São Tomé.
Lula fará o anúncio de uma doação de US$ 650 mil para o governo de São Tomé e Príncipe, além de 11 computadores e remédios para as 60 pessoas infectadas com o vírus da Aids no País. Nos últimos quatro anos, o governo brasileiro repassou US$ 15 milhões para o Timor e os países pobres da América Latina e da África.
A ajuda brasileira tem grande peso para um país que exporta cerca de US$ 6 milhões e importa US$ 30 milhões por ano. O principal produto de exportação é o cacau. Mas a produção não é suficiente para garantir a renda das famílias. Com a independência de Portugal em 1975, São Tomé e Príncipe deixou de receber os recursos que garantiam o serviço básico para a população.
A aposta agora do governo local é a extração de petróleo em águas profundas. O processo de licitação de oito poços foi aberto e para surpresa do próprio governo de São Tomé e Príncipe, a Petrobras não participou da licitação, deixando espaço para empresas americanas. Na visita a São Tomé, Lula ainda firmará um acordo para a instalação de uma agência de petróleo, nos moldes da ANP. Há estimativa de que o país tem um potencial de produção de 5 a 11 bilhões de barris em águas profundas.

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