Lula faz previsões otimistas para o País
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sexta-feira, 08 de outubro de 2004
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Dois anos e meio depois da última visita a Londrina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou ontem a inauguração do Centro de Especialidades Odontológicas (Área Central) para repetir o discurso otimista em relação ao País adotado mês passado pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Na ocasião, o ministro veio à cidade para a inauguração da multinacional Hexal, na vizinha Cambé, e deu uma palestra a empresários londrinenses.
No discurso de ontem, Lula frisou que as políticas públicas de saúde bucal são prioridade em seu governo, razão pela qual os investimentos devem crescer até o final de seu mandato. ''Hoje temos mais de 8 mil equipes dessas em quase 3,1 mil municípios. Até o final de 2006, teremos 16 mil delas em todo o território nacional, com mais recursos e equipamentos'', garantiu. O petista aproveitou a oportunidade para criticar indiretamente administrações passadas, como a do tucano Fernando Henrique Cardoso (PSDB), por oito anos no posto. ''Houve um tempo em que passaram mais responsabilidade e menos dinheiro aos municípios. Preferimos passar os dois juntos para que o prefeito possa tratar melhor da saúde pública'', afirmou.
Acompanhado de deputados federais e estaduais, secretários de Estado, do governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), e do ministro da Saúde, Humberto Costa, o presidente baseou boa parte de sua fala em um estudo feito pelo Ministério da Saúde em 25 cidades brasileiras, segundo o qual somente 3,5% dos atendimentos feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) são especializados. Por esse levantamento, continuou, 2 milhões de pessoas nunca foram ao dentista, 8 milhões das acima de 30 anos já perderam os dentes e precisam usar prótese, e três a cada quatro idosos já não possuem mais nenhum dente na boca. ''Nossa meta é investir até 2006 R$ 1,3 bilhão nesse programa. Em pouco tempo, dentadura não será mais moeda eleitoral em nosso País'', afirmou.
O tom otimista foi estendido para a produção de próteses à população carente ''pelo menos 3,6 milhões até 2006, alcançando 45% da demanda'' , com tratamento gratuito e ações preventivas, junto aos quais os aparelhos ortodônticos, ''coisa de classe média, de quem pode pagar'', na avaliação do presidente. Críticas mais diretas foram direcionadas para os planos de saúde, ''por mais caros que sejam''. ''Não temos incluído neles o tratamento odontológico. Trata-se até de bicho-do-pé, mas não da boca, por onde entra a maior parte das doenças'', alfinetou, para completar: ''A boca tem que ser tratada como questão de saúde pública. E o dentista que arrancar dente sem necessidade vai ter que pagar com o próprio, para ver o quanto isso é bom''.
O tom ameno voltou nas projeções para a economia nacional deste ano, que Lula prevê crescer ''muito mais que 4,5%''. De acordo com o presidente, o índice, juntamente aos apontados nos mercados de trabalho e exportações e consumo interno, apontam para a necessidade de ''ciclo de crescimento sustentável'' a ser adotado por sua equipe.
Multado ontem em R$ 50 mil pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo por crime eleitoral, o presidente procurou justificar a presença na inauguração de ontem que ocorreu simultaneamente em outras 59 cidades brasileiras pelo fato de que ''o Executivo não pode parar''.


