Lula faz mea-culpa para seduzir PSDB
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quinta-feira, 15 de maio de 2003
Agência estado 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez seu mea-culpa ontem, durante almoço com a bancada tucana na Câmara. Saudado pelo líder do PSDB na Câmara, Jutahy Júnior (BA), com um sonoro ''bem-vindo ao campo das reformas'', Lula disse que não se sente ''encabulado'' quando alguém o provoca pelo fato de o PT ter votado contra as mudanças constitucionais durante o governo Fernando Henrique e justificou a demora em aderir à tese: ''Nem todo mundo dorme e acorda na mesma hora.'' Mas o presidente também devolveu as críticas, afirmando que a batalha das reformas é uma luta do País e que está tentando fazer o que o governo Fernando Henrique não conseguiu completar.
De acordo com o relato de parlamentares que participaram do encontro, realizado na residência oficial do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), Lula criticou os tucanos, ao dizer que está discutindo as propostas de reforma com todos os partidos de oposição, depois de ter aprendido muito com o que considerou ''erros'' cometidos pelo PSDB no governo.
Único tucano a discursar, o líder Jutahy reafirmou a atitude positiva de seu partido em relação às reformas, mas deixou claro que cada ponto das propostas do governo será examinado tecnicamente pelo PSDB, ''para que prevaleça o interesse do povo brasileiro''. Lula respondeu aos tucanos que não haverá ''cerceamento'' a nenhum parlamentar por pertencer a um partido de oposição.
Para o presidente, a oposição não é inimiga do governo e presta serviços ao País. ''Faço questão de dialogar com todos os que participam da vida pública brasileira e vou tratar todos em igualdade de condições, assim como trato qualquer cidadão.'' E lembrou que, se por um lado quatro anos demoram a passar para quem está no campo adversário, o tempo passam rápido para quem é governo e tem tanto a realizar.
Lula repetiu aos tucanos que não está preocupado consigo e sim com as reformas. Citou especialmente a da Previdência, que segundo ele só produzirá efeitos em cinco a dez anos, mas desde já indispõe o presidente com setores da sociedade que tradicionalmente votam nele. E elogiou a reforma previdenciária promovida na Inglaterra por Margaret Tatcher, que só começou a produzir resultados positivos 20 anos depois.
Os deputados do PSDB saíram satisfeitos do almoço e também ouviram elogios do presidente ao tom respeitoso das conversas, ao final do encontro. Segundo o deputado João Castelo (PSDB-NA), o próprio presidente disse a ele de sua satisfação pela maneira civilizada com que vem se relacionando com o PSDB, desde a transição. Lula teve o cuidado de lembrar a ''solidariedade que tem recebido dos oito governadores tucanos, especialmente os de Minas Gerais (Aécio Neves) e São Paulo (Geraldo Alckmin)''.


