Brasília- Numa elevação do tom das críticas que vem fazendo ao governo americano por sua anunciada intenção de invadir o Iraque, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, ao deixar o Palácio da Alvorada, que os Estados Unidos não têm o direito de decidir sozinhos o que é bom ou ruim para o mundo. Ele acusou também o presidente George W. Bush de desrespeitar a Organização das Nações Unidas (ONU).
''O governo americano está transformando a guerra num problema eminentemente americano'', afirmou. ''Todos nós queremos que o Iraque não tenha armas atômicas, armas de destruição em massa, que o mundo viva em paz. Agora, isso não dá o direito aos Estados Unidos de, sozinhos, decidirem o que é bom e o que é ruim para o mundo''.
Na avaliação de Lula, o pronunciamento, feito ontem pelo presidente George W. Bush em cadeia de TV, ''foi muito forte'' e põe em dúvida a representação da Organização das Nações Unidas. ''Na minha opinião, (o pronunciamento) desrespeita a ONU, não leva em conta o Conselho de Segurança e o que pensa o restante do mundo'', afirmou Lula. ''De qualquer forma, como sou otimista ainda fico imaginando que aconteça alguma coisa nessas próximas 24 horas. A paz é uma condição necessária para a humanidade evoluir.''
O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, disse que o Brasil não será ''pego de surpresa'' pela guerra com o Iraque. ''O governo vem se preparando há 45 dias para a iminência de uma guerra e já tomamos todas as medidas para que o Brasil esteja protegido, tanto em relação ao abastecimento de petróleo quanto a questões sanitárias, de saúde pública e de fronteiras, como também a proteção dos brasileiros que estão no exterior'', afirmou o ministro.
Segundo Dirceu, o governo está trabalhando contra a guerra. Ele acrescentou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua buscando uma solução conversando com as Nações Unidas e presidentes de outros países da América do Sul. ''O risco que temos é de guerra iminente a partir do prazo que vai vencer amanhã'', concluiu o ministro.

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