Lula faz críticas ao denuncismo
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segunda-feira, 03 de outubro de 2005
Folhapress 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu ontem que a população seja cautelosa devido às ''centenas e centenas de denúncias'' de corrupção no país. ''Eu disse que as mentiras irão aparecer e as verdades também irão aparecer. O povo precisa ter cautela, porque o denuncismo ficou solto durante quatro ou cinco meses'', disse ele na abertura do 6º Seminário da Indústria Brasileira da Construção Construbusiness 2005 , na sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), na capital paulista. Para Lula, ''os deputados devem estar com muita dificuldade de apurar a concretude das denúncias feitas''. Ele acrescentou que as denúncias aparecem e não se concretizam no país e, depois, não há ''pedido de desculpa, reparação ou retratação''.
Durante a abertura do seminário, Lula afirmou ainda que um grupo de trabalho permanente do governo vai estudar os problemas do setor de construção civil e a política de moradia para as classes mais pobres. Ele citou as mudanças feitas nos financiamentos imobiliários que utilizam recursos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e beneficiam famílias com renda de até cinco salários mínimos. O presidente pediu ainda que o governo e os empresários avaliem com mais precisão o déficit habitacional do país. Segundo ele, o déficit de 6,5 milhões de habitações é o mesmo há 31 anos. ''Eu acho que o comodismo é que nos levou a continuar usando o mesmo número e ninguém nunca desmentiu. Algo está acontecendo e precisamos de uma vez por todas trabalhar com o número exato.''
Lula descartou intervir na cotação do dólar e nas decisões do Banco Central sobre juros e criticou empresários por suas críticas à política econômica e por suas contradições. ''Durante a campanha, eu fiz muito debate com os setores empresariais, aqui e no Brasil inteiro, e as coisas que os empresários mais reivindicavam para mim era que o Banco Central deveria ter autonomia. Agora as pessoas querem que eu determine a política de juros. Vocês cobraram de mim, durante dez anos, que o câmbio fosse flutuante, agora querem que eu determine o valor da moeda'', afirmou.
A afirmação de Lula acontece, entretanto, no mesmo dia em que o BC voltou a comprar dólares no mercado após quase dois meses sem atuar diretamente no câmbio. Ontem a ação do BC levou a moeda americana a subir até 0,89% na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros).
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, discordou das previsões otimistas de Lula e disse que a economia brasileira só vai crescer de forma sustentável quando o BC reduzir a taxa básica de juros (Selic), que atualmente está em 19,5% ao ano. ''Os juros no patamar que estão não só sangram o caixa do governo (...) como impedem o crescimento sustentável'', afirmou Skaf.


