O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva passou o domingo na Granja do Torto, em Brasília. Por volta das 7 horas, ele fez uma caminhada dentro da Granja. Estava acompanhado da mulher Marisa, dos filhos, do neto e da segurança.
As reuniões de trabalho tiveram início por volta das 9 horas. Lula recebeu os futuros ministros Antônio Palocci (Fazenda), Luiz Gushiken (secretário de Comunicações), Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência da República) e José Dirceu (Casa Civil). A reunião durou até o início da tarde e logo em seguida todos participaram de um almoço com o presidente eleito.
Às 20 horas, Lula receberia o presidente Fernando Henrique Cardoso e a primeira-dama Ruth Cardoso para um jantar.
Enquanto Lula caminhava, pela manhã, numa mistura de excitação, ansiedade, emoção e muito orgulho, 19 de seus parentes se reuniam no sítio Vargem Comprida, em Caetés, no agreste pernambucano, para uma peregrinação que em nada se compara à realizada pelo presidente eleito há 50 anos. Na ocasião, Lula, então com sete anos de idade, ao lado da mãe e de seis irmãos, deixou o sítio onde nasceu, e em um caminhão pau-de-arara fugiu da seca e da fome. Viajaram 13 dias, sem recursos, para chegar a uma terra desconhecida São Paulo abastecidos apenas pela fé de Dona Lindu, sua mãe.
Ontem seus parentes também subiram na carroceria de um caminhão pau-de-arara, mas cheios de entusiasmo e sem sofrimentos, para fazer um pequeno percurso de estrada de barro até a Rodovia BR-424, que liga Caetés a Garanhuns, onde um ônibus fretado da Transtil Turismo, com semi-leito e ar condicionado, os esperava para levá-los para assistir, em Brasília, ao coroamento das conquistas do parente famoso: a posse como presidente da República.
O som do baião, do xote e do forró, executado pela banda ''Magia do Forró'', grupo contratado pelo prefeito de Caetés, José Luiz de Lima Sampaio (PT), acompanhou a partida, que também foi registrada com fogos de artifício. A sanfona, a zabumba e o triângulo animaram a dança defronte da casa de Antonio Ferreira de Melo, de 55 anos, um dos passageiros e primo legítimo de Lula, cuja casa serviu de ponto de encontro na Vargem Comprida e onde eles tomaram o café da manhã com queijo de coalho e bolacha.
Animados, acompanharam várias músicas do cancioneiro popular nordestino e até mudaram a letra de uma delas, cantando ''só deixo o meu Caetés (ao invés de Cariri) no último pau-de-arara''. ''Não dormi direito, acordei várias vezes e às 4h30 já estava de pé'', disse Gilberto Ferreira, 55 anos, também primo de Lula, antes de embarcar. Agricultor, ele nunca saiu de Pernambuco e está feliz por fazer uma viagem longa e conhecer outras ''paragens'', num contexto que considera histórico e de grande importância. ''Meu maior desejo é que ele venha a ser conhecido por ter feito um bom governo''.
A expectativa é compartilhada por todos os familiares que integram a comitiva outros cinco primos legítimos e primos de segundo e terceiro graus do presidente eleito. Muitos deles nunca saíram de Caetés ou de Garanhuns, outros já tentaram a vida em São Paulo e retornaram, outros têm na família exemplos de quem se fixou no Sudeste buscando a sobrevivência fora do Nordeste.
Embora nada esteja previsto, os parentes nutrem a esperança de verem o presidente no dia 2, depois dos compromissos da posse. Eles vão ficar hospedados no alojamento da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI) e acreditam que Lula poderá ir visitá-los e comer um churrasco. De qualquer forma, eles estarão entre a multidão que deverá lotar a Praça dos Três Poderes com uma faixa indicando o orgulho de sua origem e do parentesco com o presidente. No ônibus, o letreiro luminoso não deixa dúvida: ''caravana da família de Lula rumo ao Planalto''. A previsão de chegada é às 22 horas de hoje.

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