Mesmo que seja derrotado hoje no primeiro turno da eleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que terminará a campanha com um saldo melhor do que o obtido na disputa presidencial de 94. Em conversas com amigos nas últimas semanas, Lula traçou um cenário otimista para ele e o PT desde que o partido consiga avançar pelo menos um pouco na representação parlamentar que sairá das urnas. Lula acha que a crise econômica, em caso de triunfo de FHC, obrigará o governo a tomar medidas impopulares, com óbvios reflexos que poderão ser capitalizados pela oposição.
‘‘Se der errado (derrota para FHC), ainda assim saio da campanha com discurso forte e com autoridade para enfrentar o governo’’, disse Lula. A turbulência econômica, aliás, está acompanhando a terceira candidatura de Lula desde 97. Foi só com a chamada crise asiática, em outubro, que Lula vislumbrou a possibilidade de evitar um vexame eleitoral e, enfim, se dispôs a concorrer novamente.
Arquivo FolhaPrazoCiro: ‘‘Trégua será rápida’’Lula achava que a crise acabaria respingando no Brasil. Raciocínio feito, tratou de sepultar a candidatura presidencial de Tarso Genro, que, mesmo sem entusiasmar o PT, caminhava rapidamente para obter uma maioria interna folgada diante da relutância de Lula para a empreitada. Com a abertura do novo capítulo da crise internacional, com a queda nas Bolsas, Lula fez um novo movimento de inflexão política. A campanha, planejada para ter um tom mais ‘‘light’’ para suavizar as restrições de parcela do eleitorado a uma suposta imagem raivosa do candidato, radicalizou a pedido do próprio Lula.
Lula enxergou aí a chance de ganhar credibilidade para a denúncia que fazia havia anos sobre o que considera excessiva dependência da economia brasileira do capital especulativo internacional. A crise financeira passaria a habitar o cotidiano das pessoas, imaginava. As pesquisas, porém, apontaram que o eleitorado, majoritariamente, não viu em Lula o piloto mais indicado para conduzir o País durante a tempestade. O fato só reforçou no candidato a aposta sobre um veto que sofreria por sua origem social. O diagnóstico já havia sido feito por Lula na derrota para FHC em 94.Arquivo FolhaSaldoLula: ‘‘Saio com autoridade’’Arquivo FolhaAlavancaFHC: apoio do CongressoCarlos Eduardo Alves
Agência Folha

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