Lula faz balanço de governo e pede paciência
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segunda-feira, 05 de julho de 2004
Agência Folha 
Brasília - Ao fazer o balanço de um ano e meio do seu governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem ter aprendido que ''a arte de governar é a arte de ter paciência''. Num discurso em tom de palestra motivacional, recheado de frases de efeito, Lula conclamou os ministros a defenderem o governo e lançou um desafio a seus opositores: ''Queremos fazer confronto não apenas de idéias, mas também de realizações, de números, de coisas concretas e objetivas que estão acontecendo no país''.
Às vésperas da campanha eleitoral para as eleições municipais de outubro, Lula previu que ele e seus ministros vão enfrentar manifestações contrárias em todos os lugares que visitarem. ''Eu sempre digo para os companheiros que estão comigo que não fiquem preocupados, porque se tem alguém que não pode reclamar de manifestações contra sou eu, porque já fiz todas que foram necessárias fazer neste país. Não vou me queixar nunca.''
Durante meia hora, falando de improviso, o presidente procurou motivar os ministros. ''O que não podem é permitir que alguma crítica ou insinuação, verdadeira ou maldosa, possa mexer com sua auto-estima'', afirmou. Diferentemente do balanço de um ano, feito pelo próprio presidente, o balanço de 18 meses foi feito pelo ministro José Dirceu (Casa Civil). Lula discursou em seguida. Foram convidados todos os ministros, líderes aliados no Congresso e presidentes de empresas e bancos estatais.
O balanço de 18 meses também serviu de palanque para que ministros saíssem em defesa da gestão Lula. Alguns chegaram a dizer, depois do evento, que os dados divulgados na cerimônia podem servir de munição contra ataques de adversários nas eleições municipais. ''Os números da indústria e do comércio mostram uma melhoria consistente. Nós certamente vamos ter um segundo semestre em que as pesquisas (de opinião) também em relação ao presidente Lula virão certamente melhores'', disse o ministro Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento).
Ao ser indagado se o governo não havia feito apenas um balanço com números já batidos, o ministro Aldo Rebelo (Coordenação Política) disse que havia informações novas e que até precisariam ser atualizadas.
Lula elogiou diversas vezes o conjunto do seu ministério e citou nominalmente apenas três: Furlan, Antonio Palocci (Fazenda) e Guido Mantega (Planejamento). Segundo Lula, a exposição que eles fizeram durante recente viagem a Nova York foi ''a mais extraordinária'' que já viu. Sem mencionar a dificuldade que o PT vem impondo em fazer alianças para as eleições municipais, Lula afirmou mais uma vez que não teria vencido a eleição se não tivesse se aliado com o PL do vice José Alencar.
O presidente também defendeu o governo das principais críticas feitas por opositores e que deverão dominar o debate eleitoral - a suposta inexperiência do governo e o pequeno aumento do salário mínimo. ''O salário mínimo é baixo não é porque o presidente Lula e o seu governo não conseguiram dar o aumento necessário. Ele é baixo porque historicamente ele foi baixo neste país. Achei muito engraçado ver na televisão a quantidade de discursos pedindo aumento. Pessoas que passaram oito anos evitando que aumentasse. É nessas horas que a gente tem de estar calmo mesmo.''
Lula negou ainda que seu governo privilegie os aliados ao liberar recursos do Orçamento e que há paralisia na gestão.


