Lula exige que FHC abra governo para transição
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quarta-feira, 14 de agosto de 2002
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
O candidato à presidência da República, Luís Inácio Lula da Silva (PT), afirmou ontem esperar que uma equipe de transição do presidente eleito tenha acesso a todos os ministérios e informações da União. ''Depois de apurado o último voto, teremos que montar uma comissão de transição no Brasil que terá acesso a todas as informações em todos os ministérios do governo Fernando Henrique Cardoso. Assim espero. Acho que a partir da vitória, o bom senso indica que o governo não faça nenhum acordo sem antes conversar com quem ganhou as eleições'', disse o presidenciável, que esteve à tarde em Londrina.
Lula voltou a criticar o atual governo. ''Eu não vejo nenhum problema com Armínio Fraga (presidente do Banco Central), eu o respeito tecnicamente, mas eu posso dizer que ele não vai continuar. Eu posso dizer que queremos mudar não apenas a política, mas também os homens, que são os responsáveis pela política'', disse o petista, dissipando boatos que Fraga continuaria no cargo em caso de vitória do petista.
Ontem foi o segundo dia de campanha de Lula no Paraná. Em Londrina, um dos compromissos foi falar a pesquisadores do Instituto Agronônico do Paraná (Iapar). ''O governo precisa tomar muito cuidado para que no final do mandato não siga a falência da república dos professores, de 94 a 2002, que teve pouquíssimas ações do governo federal'', disse Lula, que discursou para cerca de 50 funcionários.
Eles entregaram uma lista com reivindicações do setor. ''O que eu estou propondo é que a sociedade redefina o papel da ciência e tecnologia. Em quatro anos, a gente vai dobrar os recursos para o setor de 1% do Produto Interno Bruto (PIB), para 2%'', afirmou Lula, que recebeu aplausos da platéia.
O candidato também atraiu dezenas de pessoas, principalmente crianças, ao Núcleo de Convivência do Jardim União do Vitória (zona sul). Lula foi conhecer o projeto Viva a Vida, mantido pela prefeitura e que oferece atividades para mais de 120 crianças carentes da região. Acompanhado do prefeito Nedson Micheleti (PT) e do candidato do partido ao governo do Estado, Padre Roque Zimmermann, Lula distribuiu autógrafos às crianças do bairro.
O petista ainda reiterou a promessa de dobrar o poder aquisitivo do salário mínimo em quatro anos de mandato. ''Com a convicção que não causaremos nenhum transtorno em nenhuma prefeitura porque parte delas já paga mais do que isso e vamos com o crescimento da economia, recuperar a Previdência para ela não ser o bode espiatório que se utiliza para não dar aumento do salário mínimo.''
Questionado pela reportagem sobre o impacto das denúncias de irregularidades envolvendo o PT em Santo André, região metropolitana de São Paulo, e no Rio Grande do Sul, Lula foi evasivo e somente afirmou ''que o partido apóia e incentiva a investigação de denúncias de irregularidades, seja em administrações petistas ou não''.


