Lula exige estrutura e recursos para ser candidato em 98
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domingo, 07 de dezembro de 1997
Agência Folha São Paulo 
A falta de dinheiro para pôr de pé o palanque presidencial de Lula vem dando dores de cabeça à direção nacional do PT. Há duas semanas Lula comunicou à Executiva do PT que aceitava ser candidato à Presidência pela terceira vez. No último domingo, anunciou sua decisão ao Diretório Nacional. Mas lançou um desafio ao comando petista: que arrumem dinheiro para estruturar sua campanha.
Para Lula, todos os setores empresariais que tradicionalmente financiam campanhas eleitorais irão fazer doações quase exclusivas à campanha de reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Estima-se, dentro do PT, que serão necessários de R$ 6 milhões a R$ 8 milhões para o partido pagar a produção de programas de rádio e televisão e manter um jatinho à disposição de Lula, do candidato a vice e do comando da campanha. Em 94, ano no qual chegou a ter 43% das intenções de voto antes do lançamento do real, o PT gastou R$ 4,2 milhões com a campanha presidencial, segundo relatório do Tribunal Superior Eleitoral.
Foi uma campanha desigual. O PSDB de FHC declarou ao TSE ter gastado R$ 31,7 milhões. Quando era o candidato favorito e quase imbatível, Lula dispunha de um gordo caixa de campanha. Chegou a passar uma semana nos Estados Unidos e outra na Europa, em seminários e jantares com economistas e empresários, tentando desfazer o mito de que seria um monstro cuja vitória desestabilizaria a economia brasileira. Depois que a candidatura de FHC subiu nas pesquisas de intenção de voto, as doações para a campanha petista minguaram.
A poucos dias da eleição, quando precisava viajar para comícios no interior do país, Lula usava vôos comerciais e não mais os jatinhos particulares fretados. Eu disse ao PT que conheço muito bem o funcionamento de uma campanha eleitoral. E esta estrutura custa caro, desabafou Lula há alguns dias, a um amigo de São Paulo. Ele acha que uma das maneiras de financiar a campanha é selar alianças com candidatos viáveis nos Estados. Assim, para tê-lo nos palanques, os candidatos ao governo ou ao Senado pagariam suas viagens.
Já a estrutura de campanha de FHC será bem diferente. Nestes três anos de mandato, ele esteve em 77 cidades do Brasil, de Iauaretê e São Gabriel da Cachoeira (Amazonas) a Uruguaiana (Rio Grande do Sul). Os responsáveis por sua agenda marcam, invariavelmente, ao menos duas viagens por mês para cidades que não sejam Rio de Janeiro ou São Paulo - FHC esteve, em média, ao menos uma vez por mês nestas duas últimas cidades desde janeiro de 95. Um dos responsáveis por sua agenda diz que FHC não está fazendo campanha, e sim presidindo o país. Mas a repercussão e a cobertura que a imprensa dispensa aos deslocamentos de FHC incomodam a oposição. Concorrer com ele, ou melhor, contra um presidente exercendo o mandato, é uma briga desigual, disse Lula.


