Brasília- Na véspera de entregar à Câmara os projetos de reformas tributária e da Previdência, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo dramático à bancada do PT: cobrou unidade de seu próprio partido e deixou implícita a ameaça de expulsão dos parlamentares que votarem contra as propostas. Em reunião-almoço de duas horas e meia com os 92 deputados petistas, na casa do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), Lula foi duro com os companheiros. Disse que todos podem falar ''as bobagens que quiserem'', mas, no momento da votação, precisam estar unidos. ''Cuido do País como se fosse o meu filho caçula'', afirmou o presidente. ''O governo tem dificuldades e às vezes não pode dar tudo o que se espera dele, mas tenho quatro anos de mandato e sei onde quero chegar'', advertiu.
Lula disse que o PT tem um ''método democrático'' de tomar decisões. ''Discutimos e divergimos muito, mas, depois disso, a posição deve valer para todos'', observou. Antes do almoço, o presidente repreendeu os radicais petistas que criticam diariamente a proposta de mudança na Previdência e considerou as reformas como ''uma possibilidade histórica'' de mudar o Brasil. ''Antes de vocês ficarem questionando o que o governo precisa fazer para ajudar os deputados, deveriam ver como vocês vão agir para ajudar o governo'', cobrou.
De acordo com o presidente, nem tudo depende de vontade política, como ele pensava antes de assumir o poder. Mais uma vez, admitiu que, se dependesse de sua vontade, o aumento mínimo concedido aos servidores públicos seria superior a 1%. Mesmo assim, lembrou seus tempos de sindicalista para dizer que a bancada não soube ''capitalizar'' o reajuste, que variou de 1% a 13%. ''Era hora de vocês mostrarem que os que ganham menos tiveram um aumento maior'', argumentou.
''Quando eu era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, consegui um acordo semelhante, que foi considerado um sucesso.'' Apesar da reprimenda de Lula, o almoço teve momentos de descontração, que provocaram gargalhadas. Sem citar o deputado João Batista de Araújo (PT-PA), o Babá, o presidente disse que, não fossem as críticas feitas ao projeto de reforma da Previdência, alguns deputados não apareceriam ''nem na Gazeta do Pará''.

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