Lula exalta feitos da política externa durante seu governo
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terça-feira, 20 de abril de 2010
Denise Chrispim Marine Leonencio Nossa<br>Agência Estado 
Brasília - Em seu último discurso, na condição de chefe de Estado, na formatura de novos diplomatas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva extrapolou o balanço de sua política externa para atingir o plano eleitoral. Entre bravatas sobre sua atuação em reuniões internacionais, Lula valeu-se do episódio dos sapatos descalçados pelo ex-chanceler tucano Celso Lafer ao ingressar nos Estados Unidos, em 2002, para atacar o PSDB e declarou que os brasileiros ''foram induzidos'' a se ver como ''viralatas''.
Lula teve a cautela de não mencionar o nome do ex-chanceler nem o governo de Fernando Henrique Cardoso. ''Ministro meu que tirar o sapato deixará de ser ministro'', disse ele, no Itamaraty, ao comentar uma ordem que teria dado a seus colaboradores no início de seu governo.
Ciente de que já iniciou uma fase de oito meses de despedidas da Presidência, Lula dispensou o discurso escrito e improvisou por 29 minutos em torno da tese de que, ao tornar-se um País ''muito mais importante'', o Brasil gerou ''ciúmes'' e ''inimigos''. Em paralelo, o País elevou sua autoestima, ''colocou o pés onde antes não pisava'' e passou a ter protagonismo.
''A gente vai chegando num baile que tinha três caras bonitos, 50 mulheres. Depois, chegam mais 50 caras bonitos e as mulheres vão variando. O dado concreto é que o Brasil não é mais coadjuvante.''
Naturalmente inconformado com as críticas internas à sua diplomacia, Lula disparou contra os que queriam que ele atacasse ''a garganta'' de Evo Morales, quando o presidente boliviano nacionalizou as reservas de gás e mandou o Exército ocupar as plantas da Petrobrás no país, e que ''esganasse'' Fernando Lugo, quando o presidente do Paraguai exigiu a renegociação do Tratado de Itaipu. ''O Brasil é a maior economia e tem de ser generoso, aquele que ajuda o avanço dos outros.''
Lula contou ter varado parte de uma noite em uma sala apertada, em dezembro passado, em Copenhagen, em discussões sobre o acordo final da Conferência das Nações Unidas sobre o Clima, COP 15.
Quando percebeu que o debate se detinha a cada palavra, disse que não via uma situação como essa desde que era dirigente sindical e que o Brasil já tinha feito sua lição de casa. Levantou-se e foi embora.
No dia seguinte, depois de um ''samba do crioulo doido'', o acordo foi fechado em uma reunião entre Brasil, China, Índia e África do Sul e o presidente dos EUA, Barack Obama. Lula reconheceu que o acordo final foi um fracasso e que a negociação terá de continuar em dezembro, na COP 16. Mas, valeu-se dessa ilustração para defender a união dos países emergentes.


