São Paulo - Ao discursar para cerca de 3.000 pessoas no Congresso do PT ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu aos militantes que defendam os colegas acusados de crimes na ação penal do mensalão, instaurada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e disse que ''ninguém neste País tem mais autoridade moral e ética'' que o PT.
Lula reafirmou que não sabia do mensalão e que é preciso aguardar o julgamento final do caso, seja para inocentar ou culpar os petistas, e ressaltou que o PT necessita de ''solidariedade'' para governar.
''Eu não costumo falar das decisões da Suprema corte, mas eu queria que os petistas tivessem em mente uma coisa: até agora, nenhum deles foi inocentado, mas também nenhum deles foi culpado. Até agora tem um processo, e somente esses companheiros, nem eu nem vocês, sabemos o que aconteceu. Esses companheiros certamente terão tempo para se defender.''
Em seguida, disse que a trajetória do PT não se constrói sem ''ferimentos e sofrimento'' e relembrou nomes ilustres da esquerda brasileira mortos em anos recentes. Na platéia, estava o ex-ministro José Dirceu e os deputados federais João Paulo Cunha e Paulo Rocha e o ex-deputado Professor Luizinho, todos réus da ação.
''O que é importante é que nada que nos aconteça, processados ou não, pode nos esmorecer. (...) Nós não temos o direito de nos sentir derrotados. Mais importante: nenhum petista tem que ter vergonha de defender um companheiro, nenhum petista (...) Na política, nós não precisamos ser mais duros do que nós somos. Não podemos perder a sensibilidade e o companheirismo.''
Nesse momento, poucos minutos antes de o presidente encerrar seu discurso de aproximadamente uma hora, o plenário do Centro de Convenção Imigrantes, em São Paulo, explodiu em aplausos e gritos saudando o partido.
No início de seu discurso, por volta das 10h30, o presidente sinalizou que não entrará em conflito com o STF por conta do julgamento. Reafirmou a crença no PT, mas admitir que o partido errou no mensalão (escândalo de 2005 no qual o PT é o principal acusado de comprar apoios no Congresso).
''É verdade que podemos ter cometido erros, e os erros estão sendo apurados como precisam ser. Ninguém neste País tem mais autoridade moral e ética do que nosso partido. Admitimos que tem gente igual a nós, mas não admitimos que tenha melhor (...) Na hora em que algum de nós cometeu um erro, por mais amigo que seja, ele estará subordinado às mesmas leis e regras do que os 190 milhões de habitantes (do Brasil) estão submetidos.''
Os petistas réus no mensalão alegam inocência e fazem críticas ao STF e à imprensa, dizendo-se alvos de uma conspiração das elites e da oposição.
Além de falar das crises, Lula prestou conta de seu governo apresentando ações sociais, números da reforma agrária e da economia.
Na mesa diretora do evento estavam os ministros Paulo Bernardo (Planejamento), Tarso Genro (Justiça), Marta Suplicy (Turismo) e Patrus Ananias (Desenvolvimento Social).
O Congresso do PT termina hoje com a votação de teses que vão orientar o partido nos próximos anos. Nos bastidores, o grupo ligado a Dirceu tentou aprovar uma moção oficial de apoio a ele e a outros acusados. Eles deverão insistir hoje no tema.

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