Lula evita discurso em batismo de submarino
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quarta-feira, 09 de março de 2005
Rafael Cariello<br>Folhapress 
Rio de Janeiro - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou ontem no Rio de Janeiro do batismo do submarino Tikuna, que passará, a partir de dezembro, a ser o quinto da frota desse tipo de navio da Marinha brasileira. Durante a cerimônia, realizada no Arsenal de Marinha do Rio, no centro da cidade, o presidente não discursou. Calado, no palanque, ouviu a leitura de uma mensagem sua realizada por um militar. O vice-presidente e ministro da Defesa, José Alencar, também participou do batismo.
Embora os discursos - e os improvisos - sejam uma marca de Lula, assessores da Presidência informaram que a simples leitura de mensagem está prevista no cerimonial das Forças Armadas, e que essa não é a primeira vez que o presidente se cala numa cerimônia militar.
Na mensagem de ontem, Lula parabenizou a Marinha pelo lançamento ''do mais avançado submarino já construído no nosso país'' e saudou o ''notável processo de recuperação'' da indústria naval brasileira. Segundo a Seção de Comunicação Social da Marinha, o silêncio do presidente ''não é questão de praxe''. Detalhes de cada cerimônia, informaram, são acertados caso a caso.
Num discurso de improviso no dia 24 de fevereiro, em visita ao Espírito Santo, Lula afirmou que evitara divulgar supostos casos de corrupção em privatizações ocorridas no governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), relatados por um ''alto companheiro''. As declarações improvisadas foram duramente criticadas pela oposição, e o PSDB entrou com pedido de interpelação judicial no Supremo Tribunal Federal e representação contra o presidente na Câmara dos Deputados, ambos negados.
O submarino Tikuna - cujo interior foi visitado pelo presidente e pela primeira-dama, Marisa Letícia - é o quarto a ser construído no Brasil. Foi um empreendimento realizado com mão-de-obra nacional a partir de tecnologia alemã. Segundo a Marinha, apenas 15 países no mundo detêm a tecnologia para a construção desse tipo de embarcação. A embarcação tem 61 m de comprimento e 6 m de largura, e gerou 420 empregos diretos e 2.100 indiretos entre civis e militares desde que sua construção começou, em 1996.
Um grupo de mata-mosquitos - 2.500 segundo os organizadores da manifestação, cerca de 600 de acordo com a polícia - protestou do lado de fora das instalações da Marinha, enquanto ocorria a cerimônia. Após serem dispensados em 1999 e recontratados em 2003 por um período de dois anos com possibilidade de efetivação, eles temem uma possível dispensa, recomendada, segundo eles, em relatório do Ministério do Planejamento.


