Lula estuda reajuste para militares
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sexta-feira, 10 de junho de 2005
Das agências 
Brasília - Preocupado com a subida da temperatura nos quartéis por causa das constantes queixas e manifestações por aumento salarial e mais recursos para as Forças Armadas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou ontem o vice-presidente, José Alencar, e os ministros do Planejamento, Paulo Bernardo, e o interino da Fazenda, Murilo Portugal, para discutir a possibilidade de concessão de um socorro aos militares.
A reunião no Planalto foi rápida, mas o presidente pediu à área econômica que faça novos estudos para verificar se é possível conceder algum aumento, embora tenha voltado a ouvir que, neste momento, é impossível. Após o encontro com Lula, outra reunião aconteceu entre Alencar e Paulo Bernardo, e mais tarde, a equipe econômica voltou a se encontrar com o pessoal do Ministério da Defesa. Mais cedo, em mensagem à Marinha, Lula, na tentativa de acalmar a tropa, afirmou que ''é um compromisso de seu governo'' a recuperação do poder aquisitivo dos militares e dos seus equipamentos.
Antes de seguir para o encontro com Lula, Alencar disse que ''acha possível'' que algum tipo de reajuste será concedido ''porque eles estão pedindo recuperação parcial de perdas e não aumento''. As declarações de Alencar foram dadas durante a cerimônia de comemoração do aniversário de 140 anos da Batalha Naval do Riachuelo, no Grupamento de Fuzileiros Navais, em Brasília, onde as mulheres dos militares protestavam atrapalhando a solenidade, inclusive durante a leitura da mensagem encaminhada pelo presidente Lula que, pela primeira vez, não compareceu à data mais importante da Marinha, ''por problemas de agenda''. Mas esta é a segunda vez, esta semana, que Lula evita ir a locais onde previamente sabia que as mulheres estavam protestando. O presidente anda irritado com as manifestações delas.
Os militares querem 23% de reajuste. A folha de pagamento anual é de R$ 22 bilhões. O vice-presidente voltou a dizer que o pleito está sendo estudado ''com carinho''.
À tarde, em frente ao Palácio do Planalto, cerca de 60 mulheres de militares pediram o impeachment do presidente Lula e atiraram água nos seguranças da Presidência. No local, elas gritaram ''queremos mensalão''.
Dando o tom da alta temperatura dos quartéis, o comandante da Marinha, almirante Roberto de Guimarães Carvalho, advertiu ontem para a situação das Forças Armadas e reclamou um reajuste salarial dos funcionários públicos militares e civis, bem como a liberação de recursos para reaparelhamento da força. As declarações foram feitas na cerimônia da Batalha do Riachuelo, na ordem do dia e, depois, em entrevista.
Indagado até quando seria possível segurar a tropa, o comandante, que assinou uma ordem do dia intitulada ''inimigo à vista'', respondeu: ''Nós estamos contendo a tropa. Há uma insatisfação e existe um pleito, que é justo e reconhecido pelo próprio presidente da República.'' Em seguida, completou afirmando que todos aguardam uma solução para a questão.


