'Lula era o comandante máximo' do esquema na Petrobras, acusa MPF
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quarta-feira, 14 de setembro de 2016
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 

Curitiba - O Ministério Público Federal (MPF) denunciou ontem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a esposa dele, Marisa Letícia, e outras seis pessoas no âmbito da Operação Lava Jato. O caso é relativo à aquisição e reforma de um tríplex na praia do Guarujá (SP). Em entrevista coletiva, o coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, disse haver "14 conjuntos de evidência mostrando que Lula foi o comandante máximo" do esquema de corrupção instaurado na Petrobras, o qual chamou de "propinocracia". O período investigado vai de 2006 a 2016.
"Não estamos julgando se o governo dele [Lula] foi ou não foi bom, o quanto ele fez ou não pelo povo brasileiro", afirmou Deltan, acrescentando que o petista foi "o grande general que determinou a realização e a continuidade da prática dos crimes". Ainda de acordo com o procurador, os valores de corrupção somam mais de R$ 87 milhões, sendo que R$ 3,7 milhões teriam sido pagos "dissimuladamente" a Lula, por meio de um "upgrade" no imóvel e do armazenamento de bens retirados do Palácio do Planalto ao final do mandato do político. Já o esquema como um todo abrangeria R$ 6,2 bilhões em propina, gerando à Petrobras um prejuízo estimado em R$ 42 bilhões.
É a primeira vez que o ex-presidente é denunciado na Lava Jato. Além dele e de Marisa, constam da lista do MPF o ex-presidente da construtora OAS Léo Pinheiro, o arquiteto e ex-executivo da empreiteira Paulo Gordilho, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, o ex-executivo da OAS Agenor Franklin Magalhães Medeiro, o ex-presidente da OAS Investimentos Fábio Hori Yonamine e ainda Roberto Moreira Ferreira, ligado à OAS. Caberá à 13ª Vara Federal de Curitiba, onde atua o juiz Sérgio Moro, definir se eles se tornarão réus. Os crimes imputados são corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro.
Para Deltan, o "Petrolão" ou "Propinocracia" tinha três vertentes: governabilidade, enriquecimento ilícito dos agentes políticos e perpetuação no poder. "E Lula é o elo comum essencial deste ciclo criminoso", declarou. O coordenador da força-tarefa não quis contar se pediu ou pretende pedir a prisão do petista. "Não nos manifestamos quanto a medidas cautelares." Segundo ele, porém, há indícios de que Lula teria distribuído cargos entre deputados federais durante sua passagem pela Presidência da República. Com isso, se tornou "politicamente forte", formando um "colchão de recursos" para se manter no poder.
"Enquanto o Mensalão pagava mesadas aos parlamentares, a Lava Jato tinha uma função arrecadatória", completou, em referência também à Ação Penal 470, escândalo relativo à compra de votos de políticos no Congresso entre 2005 e 2006. Conforme Deltan, o "Petrolão" não estava restrito à Petrobras, envolvendo também a Eletrobras, os ministérios do Planejamento e da Saúde e a Caixa Econômica Federal. O MPF pede a indenização de R$ 87,6 milhões, que deve ser paga pela OAS e por Lula, além de R$ 58,4 milhões, a serem pagos por Léo Pinheiro.
Tríplex
O ex-presidente nega ser o proprietário do apartamento, que teria sido reservado para a família dele e reformado pela OAS com dinheiro da Petrobras. Segundo o MPF, a obra, incluindo compra de móveis e eletrodomésticos, custou R$ 2,4 milhões. A força-tarefa alega ter provas de que Lula visitou o tríplex para supervisionar a reforma. A denúncia trata ainda dos bens do ex-presidente, que ficaram armazenados em contêineres por cinco anos. A OAS teria pago as despesas, estimadas em R$ 1,3 milhão, também com recursos da Petrobras.


