Brasília - O governo Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta hoje a primeira tentativa de greve por tempo indeterminado dos servidores públicos desde o início de seu mandato. A principal reivindicação é a retirada do projeto da reforma da Previdência do Congresso, medida que o governo não aceita discutir. Ontem, após uma série de assembléias em vários Estados, a CNESF (Confederação Nacional das Entidades de Servidores Federais) - órgão que reúne 11 entidades de servidores - recalculou a estimativa de paralisação admitindo que 50% do funcionalismo poderia parar, o que significa mais de 400 mil servidores em todo o país.
Também fracassou uma tentativa do governo em negociar a suspensão da greve. Por determinação do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, o ministro Ricardo Berzoini (Previdência Social) recebeu 25 representantes de servidores. Na reunião que durou mais de duas horas, não se chegou a um acordo, segundo os representantes, já que o governo, além de não admitir retirar o projeto, estaria intransigente em outros pedidos de alteração do projeto, como, por exemplo, a mudança na idade mínima das aposentadorias.
A greve acontece num momento de cisão da principal central sindical do país. Na semana passada, 52 entidades de servidores públicos abandonaram a CUT (Central Única dos Trabalhadores), seu berço histórico e ligado ao PT de Lula, para fundar uma nova central. A CUT diz que a greve é legítima, mas se diz contra sua realização.
Devem ser afetados o funcionamento de universidades e escolas técnicas federais, fiscalização estadual e da Receita, funcionamento do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), emissão de passaporte, atendimento de varas federais e hospitais, entre outros serviços, segundo a própria entidade dos servidores.

mockup