Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva completou ontem a lista dos participantes da ''reunião das 9'', como se referiu aos ministros influentes do governo. Ele deu posse a Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais), que dividirá com Dilma Rousseff (Casa Civil) o trabalho operacional do governo. Mares Guia será o encarregado de dialogar com o Congresso e Dilma, a responsável pela caneta usada para assinar nomeações e liberação de verbas. Junto com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, está formado o eixo da nova coordenação de Lula.
A solenidade também serviu para Marta Suplicy e Reinhold Stephanes assinarem o termo de posse nos cargos de ministro do Turismo e da Agricultura, respectivamente. Pelos gritos e aplausos da platéia que lotou o Salão Nobre, a ex-prefeita de São Paulo participaria da ''reunião das 9''. Marta, a princípio, está fora da ''reunião das 9'', realizada todas as segundas-feiras no palácio.
Marta e Mares Guia levaram claques para aplaudi-los. A ex-prefeita entra no governo sem força para dar a largada da sucessão de 2010, pois não conseguiu nem mesmo o comando da Embraer, segundo observaram pessoas próximas de Lula. Nos bastidores, o presidente deixa claro que prefere vê-la sem força, mas próxima.
As claques de Marta e Mares Guia ainda foram gentis ao bater palmas para o apagado Reinhold Stephanes, que tenta como ministro se aproximar da bancada ruralista.
Sem se importar com as interpretações de que gosta do poder, Lula disse que a coalizão de partidos aliados, coordenada agora por Mares Guia, deve pensar ações para os próximos 20 anos e não apenas o imediatismo de garantir a governabilidade e aprovar projetos de interesse do Planalto.
Ele defendeu ''uma coalizão que pudesse mostrar ao Brasil que é possível fazer política no País com P maiúsculo, e que é possível construir um país pensando nos próximos 20 anos e não apenas nos próximos quatro anos'', disse. ''Se pensássemos apenas nos quatro anos, iríamos cometer os erros históricos que sempre foram cometidos, de construir apenas curativos e não fazer uma definitiva cirurgia para curar os males do nosso País.''
Ele afirmou que, pelos êxitos não tinha necessidade de mudar a equipe depois de ganhar a eleição de 2006 e sofrer um ''massacre'', como chamou a crise política do primeiro mandato. ''O time tinha ganhado o jogo e, portanto, como fez o time do Internacional de Porto Alegre, depois de ganhar o título do Mundial Interclubes, não precisaria trocar os jogadores'', afirmou. ''Entretanto, depois das eleições, começamos a estabelecer uma nova dinâmica na política, na perspectiva de construir uma coalizão.''
A primeira tarefa da dupla de operadores é coordenar, juntamente com Paulo Bernardo (Planejamento), o processo de nomeações de cargos importantes do segundo escalão e das estatais, para acabar com as reclamações de grupos que se sentem alijados do governo. Só falta definir os nomes dos ministros da Previdência, que ficará com Manoel Dias ou Carlos Lupi do PDT, e do Desenvolvimento Agrário, pasta onde deverá ser mantido o atual ministro Guilherme Cassel.
Ao elogiar Mares Guia em seu discurso, Lula acabou deixando claro como mudou de postura em relação aos indicados para o ministério quando descobre que há denúncias contra eles. Lula contou que, quando foi conversar com Mares Guia para convidá-lo para o cargo, em 2002, ele lhe avisou: ''Presidente, eu não posso pensar em aceitar (Turismo) porque estou sendo acusado''.
Lula, então, respondeu, indagando: ''E você cometeu o crime de que você está sendo acusado?''. Diante da resposta negativa de Guia, Lula emendou dizendo: ''Então prove sua inocência assumindo o Ministério do Turismo''. Na semana passada, no entanto, diante das denúncias contra o deputado Odílio Balbinotti, indicado pelo PMDB para a Agricultura, Lula preferiu adiar sua nomeação, o que pressionou o parlamentar a desistir do posto.

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