Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou ontem o desempenho da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), que depôs quarta-feira na Comissão de Infra-Estrutura do Senado. O elogio foi feito publicamente durante solenidade de lançamento do PAS (Plano Amazônia Sustentável), na qual estavam presentes ministros, sete governadores e parlamentares, no Palácio do Planalto. ''O que é importante no nosso governo é que a gente não tem medo de debate. Quero lhe parabenizar, Dilma, por sua participação ontem no Senado. Certamente você foi motivo de orgulho para quem junto com você participa do governo e para o povo brasileiro'', afirmou o presidente, sendo aplaudido pelos presentes.
Dilma reagiu ao comentário de Lula com um sorriso. Antes ela havia recebido elogios do colega e ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), que foi o primeiro a discursar na solenidade. Lula elogiou ainda o comportamento dos parlamentares durante o depoimento de Dilma. ''Quero ressaltar aqui, para fazer justiça, o comportamento democrático do Senado. As pessoas fizeram as perguntas que tinham que fazer. Acho que as pessoas foram civilizadas ao perguntar no debate'', afirmou o presidente.
O presidente afirmou ainda que a disposição do governo é estimular o debate e participar de discussões. ''Se todos forem tratados assim (como foi anteontem no Senado), que tenha mais debate porque acho que será bom para a sociedade brasileira'', disse.
Agripino
Irônico, Lula disse que o senador Agripino Maia (DEM-RN) pensou que iria ''abafar'' o depoimento da ministra Dilma Rousseff ao colocá-la sob constrangimento. Mas, segundo o presidente, o senador é que acabou ''em situação delicada''. Para Lula, Agripino não deveria ter tido tal atitude.
Lula se referiu à intervenção de Agripino, que durante o depoimento de Dilma insinuou que ela poderia mentir porque admitiu, em uma entrevista, que faltou com a verdade em interrogatório da ditadura para escapar de torturas físicas.
Agripino rebateu as declarações de Lula. O senador disse que não participou do depoimento da ministra para ''brilhar'', mas sim para questioná-la sobre o dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). ''A minha presença na reunião teve o objetivo claro de ter respostas para o que o Brasil quer saber: quem fez o dossiê, com que objetivo foi feito e se havia alguma intenção política'', afirmou.
Agripino disse que ''se as respostas foram dadas de forma enviesadas'' pela ministra, isso é ''outra conversa''. O senador reiterou que Dilma fez papel de vítima e direcionou a resposta para o campo emocional com o objetivo de sensibilizar os parlamentares.

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