Brasília - Pelo segundo dia consecutivo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou ontem no Palácio do Planalto e frustrou as expectativas de quem esperava uma manifestação pública de apoio ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Ao se pronunciar ontem, durante a solenidade de entrega de certificados às empresas credenciadas para a produção de biodiesel, Lula, em compensação, elogiou três vezes a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, a quem citou, nominalmente, em cinco oportunidades.
Depois do discurso, em rápida resposta a perguntas dos repórteres, Lula disse que a imprensa cria e destrói homens-fortes, numa referência a Palocci. Indagado se o ministro da Fazenda ainda é um homem-forte no governo, Lula declarou: ''Toda a vez que vocês (jornalistas) criam um homem-forte num dia, no outro dia vocês querem derrubar''.
A seguir, Lula comentou o desempenho do ministro da Fazenda no depoimento à CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado ontem: ''Foi bem, foi bem, foi bem, foi bem. Não consegui assistir porque estava trabalhando, mas, de qualquer forma, pelo o que vi do que vocês (jornalistas) escreveram, ele foi bem''.
Na cerimônia, ele posou para fotos ao lado de Dilma, que mereceu dele afagos e gestos de cordialidade. ''Quero dizer em alto e bom som, se alguém, em algum momento, imaginou que o programa do biodiesel era apenas um sonho, era apenas uma peça, uma coisa de campanha eleitoral, ou mais um projeto do governo, eu quero dizer que não é um sonho, não é mais um projeto, é o projeto, e um grande projeto porque ele será, definitivamente, a forma pela qual o Brasil estará totalmente independente nesta questão de energia'', disse. ''Eu não poderia deixar de parabenizar a Dilma Rousseff.''
Depois de citar que a proposta do biodiesel ''é uma criança muito nova'' e ''tem apenas dois anos'', Lula relatou que, no almoço com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, há dez dias, na Residência Oficial do Torto, o convidado propôs parcerias entre empresas americanas e brasileiras para tornar o biocombustível mais barato no mercado norte-americano. Segundo o presidente brasileiro, o processo de mistura do combustível à gasolina, que aumentará, gradativamente, até 2013, quando chegará a 5%, ''é pessimista ou mais realista do que o rei''. Lula passou a mais elogios à chefe da Casa Civil: ''A exigência do mundo hoje por opções de combustíveis vai exigir que nós ultrapassemos algumas etapas que estão previstas no projeto bem-montado e bem-coordenado pela companheira Dilma e, hoje, sob a coordenação do nosso companheiro Silas (Rondeau, ministro das Minas e Energia) e do nosso companheiro, Miguel Rossetto (ministro do Desenvolvimento Agrário).''
Os afagos do presidente a Dilma chegou ao ponto de ele sugerir que ''a companheira'' está muito sobrecarregada e que não queria desafiá-la a reduzir o prazo de 2008 e 2013, para que a mistura da substância à gasolina seja obrigatória em 2% e, depois, 5%. ''Eu não vou fazer um desafio para Rossetto porque, indiretamente, eu iria desafiar a Dilma, mas eu posso dizer a vocês que nós estamos sendo pessimistas entre o B-2 e o B-5 ou, possivelmente, não estejamos sendo pessimistas, possivelmente, estejamos sendo mais realistas que o rei'', afirmou, referindo-se à possibilidade de o governo antecipar o prazo de mistura de biodiesel à gasolina.

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