Lula e Temer discutem hoje novo nome para Agricultura
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domingo, 18 de março de 2007
Folhapress 
São Paulo - O presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), deve se reunir hoje com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar de um novo nome, do partido, para assumir o Ministério da Agricultura, após o deputado federal Odílio Balbinotti (PR) ter desistido de assumir a pasta.
Em carta enviada a Temer e ao líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), ontem, Balbinotti pediu que o presidente Lula fosse comunicado do pedido de retirada de seu nome da lista de indicados para ocupar o ministério.
De acordo com a assessoria do PMDB, pode ser que Temer ou mesmo Lula apresentem nova indicação mas, em princípio, o substituto de Balbinotti será escolhido entre os outros cinco deputados que integravam a lista inicial oferecida pelo PMDB ao presidente Lula. Além de Balbinotti, integram a relação os deputados Eunício Oliveira (CE), Tadeu Filipelli (DF), Waldemir Moka (MS), Fernando Diniz (MG) e Valdir Colatto (SC). Ontem, o nome do deputado federal pelo Paraná, Reinhold Stephanes, que não consta na lista, teria sido colocado como opção pelos dirigentes do PMDB.
Ainda segundo a assessoria do partido, o encontro entre Temer e Lula, acertado na sexta-feira, seria para discutir o fato de Balbinotti ser alvo de investigação sigilosa no Supremo Tribunal Federal (STF) por falsidade ideológica. Diante da desistência, a substituição de sua indicação vai entrar em pauta.
A suspeita que cai sobre Balbinotti é a de que ele teria forjado documentação para obter empréstimo do Banco do Brasil. Na atual fase, o inquérito aguarda a documentação oficial do empréstimo para perícia técnica. Ou seja, confirmar ou não a falsificação. Depois, o Ministério Público Federal decidiria se oferecerá denúncia ou não ao Supremo. Feita a denúncia, caberia ainda ao STF rejeitá-la ou aceitá-la.
O fato que deu origem ao processo teria ocorrido em 1996 e estaria relacionado com a atividade de ''produtor rural'' de Balbinotti (ele tem fazendas em que produz sementes de soja). Na carta de Balbinotti divulgada hoje, ele diz que responderá a todas as acusações. ''Não serei vil, responderei a todos'', disse, no comunicado.
Na sexta, diante de um noticiário negativo, Temer procurou Lula para deixá-lo à vontade a respeito de eventual substituição. Lula, então, teria resolvido aguardar 48 horas para tomar uma decisão, mas Balbinotti e o PMDB se anteciparam para evitar desgaste.
A pressão abreviou a condição de futuro ministro da Agricultura de Balbinotti. O Planalto temia que o prolongamento do noticiário sobre atividades suspeitas do peemedebista acabassem por passar à opinião pública que o segundo mandato de Lula seria apenas uma reedição dos escândalos do primeiro. Segundo um assessor de Lula, a carta-renúncia foi um movimento combinado com Temer, na última sexta-feira.
Lula teria manifestado a inconveniência de manter a indicação de uma pessoa sobre a qual pesa várias suspeitas ainda não esclarecidas. Para Lula, Balbinotti seria um ''ônus muito grande para o governo, fonte de desgaste permanente''.
Na carta aos líderes do partido, Balbinotti disse que continuará a trabalhar pela agricultura do País, ''como parlamentar e como agricultor, profissão da qual muito me orgulho''. (Com Agência Estado)


