Rio- Compromissos de caráter oficial, mas com grande potencial eleitoral, têm sido constantes nas agendas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador paulista José Serra (PSDB). Somando inaugurações, lançamentos de projetos, visitas a unidades industriais e vistorias em canteiros de obras, Lula, sempre acompanhado de sua candidata à Presidência, ministra Dilma Rousseff, esteve este ano em 27 atividades - em média, uma a cada dois dias e meio. Dilma chegou a 28, com a inauguração de um hospital estadual no Rio de Janeiro, sem a presença de Lula. No caso de Serra, provável candidato do PSDB, esses compromissos já somam 32 - um a cada dois dias. Os números referem-se ao período entre 1º de janeiro e a sexta-feira passada, 12 de março.
Se forem levadas em conta apenas as inaugurações, Serra e Lula estão em ritmo bem mais intenso que no ano passado. O governador tucano compareceu a 27 solenidades este ano e o presidente, a 21 (Dilma foi a 22). No mesmo período de 2009, Serra foi a dez inaugurações e Lula, a sete. Em seus discursos, tanto Serra quanto Lula dizem que as obras concluídas são resultado de esforços anteriores, já que estão no último ano do mandato.
As inaugurações se concentram nos três primeiros meses do ano, porém, porque a lei proíbe participação de candidatos nessas solenidades durante a campanha. Serra e Dilma não poderão estar nesse tipo de palanque a partir de 6 de julho. Como têm que deixar os cargos públicos na primeira semana de abril, não terão justificativa para essa maratona de inaugurações. O presidente Lula, que não é candidato, avisou que continuará a inaugurar obras até o último dia do ano.
Nesta fase de campanha disfarçada, as obras são a maior vitrine para pré-candidatos. As inaugurações são festivas, com discursos em que as autoridades exaltam os próprios feitos. Além disso, são amplamente noticiadas na imprensa e ainda geram imagens que são registradas por produtoras contratadas pelos partidos para exibição no horário eleitoral gratuito da TV. Até 6 de julho, não há regras para coibir possíveis abusos e propaganda eleitoral antecipada.

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