Londres - Futebol e Rolling Stones foram temas ontem nos discursos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da Rainha do Reino Unido, Elizabeth II. Nenhum dos dois fez qualquer menção ao caso Jean Charles de Menezes, morto pela polícia britânica em julho de 2005. Mas Lula aproveitou sua fala também para responder ao Greenpeace, que publicou ontem um artigo no jornal londrino ''The Independent'' e fez protesto pelas ruas de Londres, dizendo de que desde que assumiu o governo, uma área florestal maior do que metade da Inglaterra foi destruída ilegalmente por madeireiros, produtores de soja e pecuaristas.
Segundo Lula, o trabalho de seu governo na Amazônia é uma prova do compromisso de que ''no Brasil não haverá desenvolvimento sem respeito ao meio ambiente'', acrescentando ainda que ''a redução de mais de 30% da taxa de desmatamento em 2005 é o melhor resultado nos últimos nove anos'', o que renova o seu otimismo e o encoraja a redobrar a vigilância e empenho na região.
O clima do jantar foi descontraído. A primeira a discursar foi a rainha. Ela destacou que Reino Unido e o Brasil estão colaborando, cada vez mais estreitamente no palco internacional, inclusive junto às Nações Unidas, em áreas como a luta contra a pobreza e o combate à mudança do clima, em benefício de todos os cidadãos. Em seguida, citou a ampliação do intercâmbio entre cidadãos e as culturas dos dois países, citando o fato de os Rolling Stones, que estiveram no Rio de Janeiro na semana que antecedeu o Carnaval, tenha feito um show atraindo uma ''multidão'' à Praia de Copacabana. Lembrou também a ''paixão nacional'' que os dois países compartilham pelo futebol. O incômodo tema para a Inglaterra da morte do brasileiro Jean Charles pela polícia londrina não entrou na fala da rainha.
O presidente Lula, que leu integralmente seu discurso, que durou cerca de 10 minutos, quase o dobro do tempo da fala da Rainha, afirmou que a cooperação entre os dois países ''deve se inspirar no exemplo do futebol''. E acrescentou: ''Podemos aliar a experiência britânica à criatividade brasileira para atingir os melhores resultados. Foi isso que o inglês Charles Miller fez ao levar este esporte para o Brasil, no final do século XIX''. Lula despertou um riso da Rainha ao comentar em seguida que, ''como torcedor'', sentia-se ''aliviado'' em saber que ''não há hipótese de que o Brasil venha a enfrentar a Inglaterra antes da semifinal da próxima copa do mundo''.
Hoje a agenda será mais econômica, com o presidente Lula participando de um seminário com empresários com objetivo de atrair investimentos para o País e ampliar os negócios bilaterais entre eles.

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