Lula e PMDB selam coalizão
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quinta-feira, 23 de novembro de 2006
Andreza Matais<br>Folhapress 
Brasília - O presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), selou ontem a entrada do partido no segundo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Temer, o partido deve formalizar essa coalizão com o governo Lula nos próximos dias. Depois de duas horas de reunião com o presidente Lula, Temer deixou o Palácio do Planalto avisando que o partido não está mais dividido entre governistas e independentes. O fim dessa divisão já havia sido estipulado por Lula como requisito para a entrada do PMDB no governo. Segundo Temer, o PMDB agora é ''majoritariamente governista''.
O deputado negou que tenha recebido de Lula promessa de cargos em troca do apoio. ''Não houve nenhuma conversa referente a ministérios, a cargos. Não era o nosso objetivo. Nossa concepção é a de que em face dos projetos a serem executados e a critério do presidente da República, se for o caso, para a execução destes projetos e para a consequência deles, o PMDB pode ser chamado para ajudá-lo na execução. Isso poderá ou não importar em ministérios e cargos para o partido'', disse.
O presidente Lula apresentou uma agenda mínima para o PMDB com suas prioridades para o segundo mandato. São sete pontos que contemplam as reformas política e tributária, medidas que garantam o crescimento do país no próximo ano em 5%, a consolidação de políticas de transferência de renda, a revisão do pacto federativo e a criação de um conselho político formado pelos partidos de coalizão. Recebeu o apoio do partido para tocar estas propostas.
Temer chegou acompanhado para o encontro com Lula do ex-governador Orestes Quércia (SP), dos deputados Henrique Eduardo Alves (RN), Moreira Franco (RJ) e Tadeu Filipelli (DF). Com exceção de Moreira, os demais são membros da Executiva nacional do partido. Antes de conversar com o grupo, Lula teve um encontro reservado com Temer que durou cerca de meia hora. Na ocasião, o presidente disse que não tem pressa de formar seu novo ministério.
O assunto provoca discórdia entre os partidos aliados. O PMDB sustenta que tem direito à presidência da Câmara por ter eleito a maior bancada em outubro para a próxima legislatura. O PT alega, porém, que se o partido quiser continuar na presidência do Senado não poderá disputar o comando da Câmara. Temer disse que o PMDB deve ''exigir'' o comando da Casa.
Lula quer conversar com os seis peemedebistas que farão oposição ao seu governo. Segundo Michel Temer, o objetivo do presidente é tentar atrair o grupo para participar da coalizão que deve sustentar o seu segundo mandato. Lula foi informado da dissidência do PMDB ontem por Temer, quando convidou o partido oficialmente a integrar o governo. Jarbas Vasconcelos (PE), Joaquim Roriz (DF), Garibaldi Alves (RN), Almeida Lima (SE), Mão Santa (PI) e Geraldo Mesquita (AC) anunciaram que não irão seguir a maioria do partido e que atuarão como oposicionistas ao presidente Lula. ''Somos oposição ao governo. O partido inteiro ele não tem'', disse Jarbas.


