Brasília - As articulações de última hora para tentar barrar a CPI dos Correios envolveram telefonemas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda) da Coréia do Sul para aliados e uma aproximação entre o ministro José Dirceu (Casa Civil) e o ex-governador Anthony Garotinho.
No telefonema para a bancada de 13 senadores do PT, que não aderiu à CPI por unanimidade ao contrário da bancada petista da Câmara, Lula orientou o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), a carimbar as ações da oposição de luta política por conta das eleições de 2006.
''Temos que fazer o debate político, porque, se a gente avaliar a área econômica e social, eles (PSDB e PFL) têm muita dificuldade em confrontar a experiência deles (de governo) com a nossa. Eles querem criar uma outra pauta'', disse Lula, de acordo com Mercadante, em telefonema por volta das 9h30 de ontem.
Lula também confirmou que será mantido o ritmo acelerado de apurações da PF (Polícia Federal) no caso dos Correios, para dar satisfação à opinião pública e vender que a CPI seria desnecessária.
No esforço anti-CPI, Palocci telefonou às 10h15 para o deputado federal Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), que manteve a assinatura na CPI, mas prometeu boa vontade em batalhas futuras. O ministro quis lhe dar uma boa notícia: o Conselho Monetário Nacional aprovaria ontem, o que aconteceu, a suspensão até 31 de outubro das dívidas dos produtores de cacau que estão na base eleitoral do deputado. Até lá, o governo estudará eventual refinanciamento dos débitos, como quer Geddel.

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