Lula é o anti-Juscelino, afirma Alckmin
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sexta-feira, 03 de março de 2006
Tathiana Barbar<br>Folhapress 
São Paulo - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), criticou ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que não tem pressa para o país crescer e o comparou ao ex-presidente Juscelino Kubitschek. ''Fiquei extremamente impressionado, (o governo Lula) é o anti-Juscelino. Tudo que o Brasil precisa é pressa para tirar o atraso, para diminuir a pobreza, para fazer inclusão social'', afirmou o governador.
O presidente Lula, que sempre cita em seus discursos a postura de Juscelino Kubitschek, afirmou em entrevista à revista britânica ''The Economist'' que não tem pressa ''de fazer a economia decolar imediatamente''. Lula ressaltou que sua principal preocupação é fazer com que o Brasil entre em um ciclo de crescimento sustentado e disse que o governo não deveria ficar deprimido com as críticas sobre o baixo crescimento da economia.
Alckmin também criticou a falta de ousadia do governo federal para estimular o crescimento e promover a inclusão social. ''O problema do governo é esse sentimento de que tudo pode ser deixado para amanhã.''
Seguindo a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), que chamou o programa Bolsa-Família de ''assistencialista'', Alckmin criticou as políticas sociais do governo Lula. ''Inclusão social não é possível sem emprego, renda e educação'', disse ele.
Anteontem, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) defendeu o secretário-geral da CNBB, dom Odilo Pedro Scherer, que criticou a política econômica do governo Lula, dizendo que é preciso rever os juros altos porque o Brasil tem sido um ''paraíso financeiro''.
O governador de São Paulo manteve ontem sua pré-candidatura à Presidência da República pelo PSDB. Apesar da intenção de Alckmin, a cúpula do PSDB e partidos aliados, como o PFL, preferem o prefeito de São Paulo, José Serra.
Ao contrário de Alckmin, que já marcou data para entregar o cargo - dia 31 deste mês -, Serra ainda não declarou publicamente se está disposto a abandonar a Prefeitura de São Paulo para disputar as eleições de outubro com o provável candidato petista à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, que aparece com vantagem nas pesquisas de intenção de voto.
Alheio ao silêncio de Serra, Alckmin manteve seu discurso de pré-candidato do PSDB à Presidência. ''Coloquei meu nome à disposição do partido e estou muito animado'', disse ele. Alckmin negou que esteja incomodado com o processo de escolha do candidato tucano à Presidência. ''Cumpri todas as instâncias partidárias. Estou tranquilo. Agora a decisão é do partido'', disse. O governador tucano negou que o partido já tenha escolhido seu candidato para as eleições presidenciais deste ano.


