Lula e Flávio iniciam campanha em seus redutos políticos
Lula voltou a São Bernardo do Campo, onde iniciou sua atuação como sindicalista, e Flávio Bolsonaro escolheu a Praia de Copacabana, no RJ
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domingo, 16 de agosto de 2026
Lula voltou a São Bernardo do Campo, onde iniciou sua atuação como sindicalista, e Flávio Bolsonaro escolheu a Praia de Copacabana, no RJ

Os dois candidatos que lideram a disputa pela Presidência da República, o presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), iniciaram oficialmente suas campanhas, neste domingo (16), em seus tradicionais redutos eleitorais.
O presidente Lula voltou a São Bernardo do Campo, na região do Grande ABC paulista, onde iniciou sua trajetória como sindicalista e, no final dos anos de 1970, durante a ditadura militar, reuniu uma multidão durante uma greve geral dos metalúrgicos. O petista pisou novamente no gramado do Estádio 1º de Maio, na Vila Euclides, seu berço político, e falou a uma plateia de cerca de 40 mil pessoas, a maioria delas, vestindo vermelho.
Flávio Bolsonaro deu o pontapé inicial na sua campanha na capital do Rio de Janeiro, estado que o elegeu deputado e senador. A Praia de Copacabana foi um dos três pontos escolhidos para a oficialização da corrida presidencial, neste domingo. O PL também organizou atos na avenida Paulista, em São Paulo, e na Esplanada dos Ministérios, em Brasília (DF).
Lula chegou ao evento em São Bernardo do Campo em um helicóptero que sobrevoou o estádio lotado. Ele subiu ao palco acompanhado de seu vice, Geraldo Alckmin (PSB). O presidente, que tenta a reeleição para completar o quarto mandato, lançou o slogan "O Brasil pronto para mais", mas com o lema "Onde tudo começou".
Assim como fez na convenção que confirmou seu nome como cabeça da chapa petista, Lula realizou uma espécie de viagem ao passado, mas prometendo futuro. O presidente, que está em seu terceiro mandato e em novembro completa 81 anos de idade, apostou na emoção, a partir do resgate de sua trajetória sindical e política, para cativar o eleitor.
O petista também destacou a ampliação dos programas sociais e a queda do desmatamento na Amazônia. No entanto, as tensões com os Estados Unidos e as tarifas impostas ao Brasil dominaram o debate. Lula afirmou que quer dizer ao presidente dos EUA, Donald Trump, aliado da família Bolsonaro, que "não se meta nos assuntos do Brasil, especialmente no que diz respeito às eleições". "Se se meter, vai perder", declarou.
Segundo noticiado pela Folha de S.Paulo, Lula citou a Operação Lava Jato, que culminou com sua prisão, em 2018, e pediu que seus eleitores comparem os resultados de sua administração com os da gestão anterior. O presidente também relembrou a condução desastrosa da pandemia durante o governo de Jair Bolsonaro, que resultou em mais de 700 mil mortes.
Uma das áreas mais desafiadoras para qualquer governante, a segurança pública foi citada por Lula. Ele prometeu intensificar o combate às lideranças de facções criminosas e reafirmou a proposta de criar um Ministério da Segurança Pública.
Em seu discurso, o presidente também destacou a importância das políticas públicas direcionadas às mulheres, falou sobre a conquista delas do direito ao voto e acenou aos evangélicos, dois grupos que podem ser decisivos para o resultado das eleições. “Os homens devem aprender desde crianças que um homem não é melhor que uma mulher. Têm que aprender que somos iguais", disse Lula. A primeira-dama, Janja da Silva, discursou brevemente.
As mulheres representam 53% dos 158 milhões de eleitores do Brasil, comparecem mais às urnas do que os homens e contribuíram para a vitória apertada de Lula em 2022.
Rio de Janeiro
Na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, cenário de manifestações de militantes da extrema direita ao longo dos últimos anos, o ponto escolhido para o início da campanha de Flávio ao Palácio do Planalto foi o fim da praia, perto do Forte de Copacabana, marco da história militar do Brasil.
Cerca de nove mil pessoas participaram do ato, segundo estimativa do Monitor do Debate Político da Universidade de São Paulo, um público menor do que o registrado nos grandes atos que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) costumava protagonizar. A campanha de Flávio não informou o número de participantes.
A escolha da equipe de campanha do candidato do PL é uma tentativa de associar o evento ao ex-presidente Jair Bolsonaro, inelegível e em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023, após ser derrotado por Lula nas urnas. "Eu sei que vocês estão aqui olhando pra mim nesse momento e lembrando de uma pessoa. Eu sei que eu pareço com ele. Mas é difícil comparar o filho do Pelé com o Pelé", disse Flávio.
Como tem acontecido em todas as manifestações da direita nos últimos anos, muitos simpatizantes participaram do ato empunhando bandeiras dos EUA e de Israel.
Em cima de um trio elétrico e vestindo um colete à prova de balas sob a camiseta verde e amarela, Flávio estava acompanhado de sua esposa, Fernanda Bolsonaro, do seu candidato a vice, Alfredo Gaspar, e dos candidatos do PL ao Senado Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy.
Assim como Lula, Flávio também fez um afago às mulheres. "O Brasil vai vencer porque eu vou proteger as mulheres desse Brasil", disse ele, prometendo também enviar à prisão e submeter à castração química os abusadores e estupradores de mulheres e crianças. "Só vão sair depois que fizer castração química".
O candidato do PL destacou ainda a segurança pública como uma de suas prioridades e fez a promessa de classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações terroristas, mostrando um alinhamento às decisões recentes de Donald Trump. Ele elogiou o modelo do presidente de El Salvador, Nayib Bukele.
Flávio disse ainda ser o único candidato capaz de negociar acordos com EUA, China, Israel, Índia e Argentina, se comprometeu a realizar um amplo corte de gastos públicos a partir de 2027 e disse que irá indicar quatro ministros ao Supremo Tribunal Federal, contrários ao aborto e à legalização das drogas.
O primeiro ato oficial da corrida à Presidência ocorre com Lula à frente nas intenções de voto. De acordo com a Pesquisa Genial/Quest, divulgada na última sexta-feira (14), o presidente lidera a disputa no primeiro turno, com 38% das intenções de voto, contra 31% do segundo colocado, Flávio Bolsonaro. O primeiro turno acontece em 4 de outubro.
Em uma eventual segunda rodada, apontou a Genial/Quest, Lula tem 43% das intenções de voto contra 40% de seu principal adversário.(Com AFP)
Em GO e em MG, Caiado e Zema participam de atos de campanha
Outros candidatos à Presidência também realizaram atos direcionados aos seus redutos eleitorais. Ronaldo Caiado (PSD) participou de um evento no entorno do Distrito Federal e Romeu Zema (Novo), cumpriu agenda de campanha em Montes Claros (MG).
Caiado iniciou a campanha com uma carreata em Águas Lindas de Goiás, precedida por uma missa fora da agenda oficial. Conforme notícia publicada pelo g1, o governador de Goiás afirmou que, se eleito, irá administrar com "garra e determinação". Questionado sobre a ausência do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, no evento, Caiado negou divergências.
No Norte de Minas Gerais, região na qual Lula obteve votação expressiva em 2022, Zema não teve o apoio do governador Mateus Simões (PSD) e do senador Eduardo Girão (Novo), vice-presidente na chapa. No ato, o ex-governador de Minas reafirmou a intenção de construir um "superpresídio" naquela região do estado, para onde seriam levados os líderes das facções criminosas, e defendeu o endurecimento da legislação penal, conforme noticiado pelo UOL.


Da Redação
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