São Paulo Para ele, o maior erro do PT nas eleições de 1994 foi bater no Plano Real, que o povo aplaudia. À época, Aloizio Mercadante vaticinou que o Plano Real ''não duraria três meses''. Kotscho rebateu: ''Tudo bem, mas se durar três meses nós perdemos a eleição em outubro.''
Kotscho coloca a marca do repórter acima da carteirinha do partido ao narrar a negociação do PT com o PL em 2002, no apartamento do ex-deputado Paulo Rocha (PA), onde se plantou a semente do mensalão. A negociação juntou, de um lado, Lula e José Dirceu, e de outro, José Alencar e Valdemar Costa Neto, presidente do PL. Só depois de três anos Kotscho descobriu o móvel principal daquela feroz discussão R$ 10 milhões. E o pior é que ele assegura que Lula estava lá, debatendo a fixação do ''preço''.
Mas Kotscho deixa claro que nos seus dois anos de governo não teve nenhum sinal ou evidência de corrupção. Tanto é assim que, ao visitar um jornal em janeiro de 2004, o então assessor de imprensa do presidente recebeu uma saraivada de críticas ao listar as realizações do governo Lula. Sem se dar por vencido, desafiou: ''Você podem falar o que quiserem, mas pelo menos são obrigados a reconhecer que neste governo não tem corrupção''. Menos de um mês depois explodia o caso Waldomiro Diniz, onde o ex-assessor do então chefe da Casa Civil, José Dirceu, foi flagrado cobrando propina de um bicheiro do Rio de Janeiro.
Ele relata que, no passado, teve pressentimentos sobre Lula no poder. ''O principal era que o presidente, a vida toda habituado a aplausos e elogios, (...) não estivesse psicologicamente preparado para enfrentar uma onda daquele tamanho''. (C.M./AE)

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