Lula e Ciro negam renúncia e fazem alerta
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segunda-feira, 28 de setembro de 1998
Carla Franco Agência Estado 
Os candidatos à Presidência da República, Ciro Gomes (PPS) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em pronunciamento conjunto, negaram ontem em São Paulo que renunciarão a suas candidaturas. Ciro apontou para uma grave crise de legitimidade no processo eleitoral, mas ponderou que continuará sendo adversário de Lula, pretendendo derrotar o petista.
Segundo Ciro, o Brasil está no epicentro da crise mundial e a responsabilidade é do governo federal. Lula disse que o presidente Fernando Henrique Cardoso está fugindo de sua responsabilidade na crise e que a idéia do pronunciamento conjunto é alertar a opinião pública sobre o engodo que é o processo eleitoral.
Ciro previu que o País, na melhor das hipóteses, passará por uma recessão brutal em função da crise dos mercados internacionais. Para ele, a pior das hipóteses seria a perda do controle da taxa de câmbio. A resposta foi dada a uma pergunta de um correspondente de um jornal espanhol. Para Ciro, o Brasil, apesar de tudo, continua sendo um país de oportunidades extraordinárias.
Lula e Ciro deixaram claro que o objetivo do pronunciamento foi alertar a sociedade sobre a gravidade do momento econômico e sobre a importância da disputa eleitoral. Decidimos unir-nos nesta declaração conjunta, em um momento de perigo nacional, para alertar a cidadania sobre as ameaças que pesam sobre o País, sustenta o documento. Nossa decisão não altera nossas identidades políticas e programáticas, nem pré-determina a posição que adotaremos no segundo turno.
Ciro não respondeu a uma pergunta sobre um possível apoio a Lula em eventual segundo turno. Eu espero o apoio de Lula, afirmou Ciro, argumentando que não acredita nas pesquisas de intenção de voto. Sou um lutador, disse. Os demagogos, como o presidente Fernando Henrique Cardoso, é que se acomodam nas pesquisas. Lula, ao responder a mesma pergunta, disse que acredita que haverá segundo turno e que uma eventual aliança com Ciro só deverá ser discutida a partir de 5 de outubro.
Para Ciro Gomes, renunciar seria uma traição aos brasileiros que confiaram em sua candidatura. Tenho pelo Lula um grande respeito, mas estou aqui para ganhar, observou. Lula ressaltou a importância do segundo turno eleitoral para que haja um debate com a sociedade brasileira.
Na opinião do pepista, o presidente Fernando Henrique Cardoso não quer o debate, mas não poderá evitá-lo num eventual segundo turno. Não cabe a ele (FHC) decidir os rumos da política econômica brasileira sem levar em conta a opinião do povo, afirmou.


