Os candidatos à Presidência da República, Ciro Gomes (PPS) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em pronunciamento conjunto, negaram ontem em São Paulo que renunciarão a suas candidaturas. Ciro apontou para uma grave crise de legitimidade no processo eleitoral, mas ponderou que continuará sendo adversário de Lula, pretendendo derrotar o petista.
Segundo Ciro, o Brasil está no epicentro da crise mundial e a responsabilidade é do governo federal. Lula disse que o presidente Fernando Henrique Cardoso está fugindo de sua responsabilidade na crise e que a idéia do pronunciamento conjunto é alertar a opinião pública sobre o ‘‘engodo’’ que é o processo eleitoral.
Ciro previu que o País, na melhor das hipóteses, passará por uma recessão brutal em função da crise dos mercados internacionais. Para ele, a pior das hipóteses seria a perda do controle da taxa de câmbio. A resposta foi dada a uma pergunta de um correspondente de um jornal espanhol. Para Ciro, o Brasil, apesar de tudo, continua sendo um país de oportunidades extraordinárias.
Lula e Ciro deixaram claro que o objetivo do pronunciamento foi alertar a sociedade sobre a gravidade do momento econômico e sobre a importância da disputa eleitoral. ‘‘Decidimos unir-nos nesta declaração conjunta, em um momento de perigo nacional, para alertar a cidadania sobre as ameaças que pesam sobre o País’’, sustenta o documento. ‘‘Nossa decisão não altera nossas identidades políticas e programáticas, nem pré-determina a posição que adotaremos no segundo turno.’’
Ciro não respondeu a uma pergunta sobre um possível apoio a Lula em eventual segundo turno. ‘‘Eu espero o apoio de Lula’’, afirmou Ciro, argumentando que não acredita nas pesquisas de intenção de voto. ‘‘Sou um lutador’’, disse. ‘‘Os demagogos, como o presidente Fernando Henrique Cardoso, é que se acomodam nas pesquisas.’’ Lula, ao responder a mesma pergunta, disse que acredita que haverá segundo turno e que uma eventual aliança com Ciro só deverá ser discutida a partir de 5 de outubro.
Para Ciro Gomes, ‘‘renunciar seria uma traição aos brasileiros’’ que confiaram em sua candidatura. ‘‘Tenho pelo Lula um grande respeito, mas estou aqui para ganhar’’, observou. Lula ressaltou a importância do segundo turno eleitoral para que haja um debate com a sociedade brasileira.
Na opinião do pepista, o presidente Fernando Henrique Cardoso não quer o debate, mas não poderá evitá-lo num eventual segundo turno. ‘‘Não cabe a ele (FHC) decidir os rumos da política econômica brasileira sem levar em conta a opinião do povo’’, afirmou.

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