O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, e o ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes devem ter o primeiro encontro para discutir a sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso depois do segundo turno das eleições municipais. Lula, que até então resistia à idéia, pediu anteontem a conversa ao presidente nacional do PPS, senador Roberto Freire (PE). Os dois participaram de uma série de eventos em favor do candidato do PT à prefeitura de Recife, João Paulo.
‘‘Lula quer conversar sobre 2002’’, informou Freire que,
no primeiro turno, tentara, sem sucesso, conciliar a agenda dos dois presidenciáveis durante a campanha eleitoral. Mas a direção petista se opôs de imediato à proposta. Depois do resultado do primeiro turno, que revelou o crescimento do PT e, ao mesmo tempo, uma posição hegemônica dos partidos aliados ao governo, Lula anunciou a decisão de buscar novos aliados, incluindo o PMDB e PPS. Segundo Freire, PPS e PT chegarão a 2002 compartilhando muitas administrações municipais, o que poderá facilitar o diálogo.
‘‘Não sei se chegaremos juntos em 2002, mas vamos conversar’’, completou Freire, admitindo a possibilidade de o PPS se transformar em novo aliado dos petistas. Além de Freire, Lula e Ciro Gomes, o presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP), também participará do encontro, conforme ficou acertado.
Na avaliação de Freire, o segundo turno das eleições municipais tem produzido uma relação mais estreita entre os dois partidos. O presidente do PPS afirmou que os dois partidos pretendem procurar o PMDB para discutir alianças futuras, mas que isso será feito separadamente.
Considerado mentor do ex-ministro Ciro Gomes, o cientista político Roberto Mangabeira Unger (PPS), defendeu ontem a candidatura do governador de Minas, Itamar Franco (sem partido), à Presidência da República em 2002. Unger esteve no Palácio da Liberdade por cerca de 45 minutos e discutiu com Itamar ‘‘estratégias das oposicões’’ visando a eleição presidencial. Na saída, disse que, embora aponte Ciro Gomes como a melhor opção da chamada centro-esquerda, acredita que uma eventual candidatura de Itamar seria ‘‘outra grande alternativa, bastante benéfica para o País’’.
Para Unger, o ideal seria o lançamento de pelo menos dois candidatos identificados de fato com as forças progressistas para enfrentar o representante da base de apoio do presidente Fernando Henrique Cardoso. No segundo turno, quando a eleição se polarizasse, haveria a união das oposições. Unger, que foi pré-candidato do PPS à Prefeitura de São Paulo, disse ainda que o PT deverá lançar em 2002, mais uma vez, candidato próprio e o mesmo das eleições presidenciais passadas: Luiz Inácio Lula da Silva. Ele ressaltou, porém, que não vê o petista com chances de chegar ao poder.

mockup